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Padrões Falidos. Fé sincera.

“Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (cf. Mt 21, 31).

Quero começar este artigo com esta frase de Jesus que está no contexto da parábola dos dois filhos que ele conta para desmascarar a hipocrisia farisaica do seu tempo (cf. Mt 21,28-32).

Ao falar do homem que tinha dois filhos e pede para ambos irem trabalhar em sua vinha, Jesus descreve o comportamento sincero de um, e a hipocrisia do outro. O primeiro ao receber o convite diz não, mas, se arrepende e vai. O segundo é aquele que quer fazer média, diz que vai, mas não vai. Aí a pergunta de Jesus: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” Claro que a resposta foi correta. O primeiro. Ao dizer a frase citada do versículo 31, Jesus os questiona porque eles não acreditaram na pregação de João, que estava em conformidade com a vontade de Deus. Enquanto que os publicanos e as prostitutas creram em João! Por isso, aqueles que eram considerados à margem da sociedade política e religiosa daquele tempo, pecadores púbicos iriam preceder muitos considerados “santos” e certinhos, freqüentadores assíduos do Templo, no Reino de Deus.  Podem até ‘“morar” na Igreja, mas estão longe de conformar suas vidas com a vontade de Deus!

Será que em nossa sociedade contemporânea não é assim também? Sim, é até pior que no tempo de Jesus. E o que mais causa decepção é este tipo de atitude de quem se diz cristão praticante, seja católico ou de outras denominações cristãs, que acham que serão salvos por serem cumpridores de ritualismos, histerismos, repetidores de longas orações, mas, viver na prática cotidiana, o amor, a justiça, a misericórdia, nem pensar.

Porque falo disso? Porque acredito que todos acompanham redes sociais, e por ocasião do dia dos pais, houve uma polêmica em relação a uma pessoa conhecida do meio artístico, que fez sua escolha, opção de vida, usando de sua liberdade, saindo dos padrões impostos, que uma família deve ser composta de homem, mulher e filhos. Não estou aqui para dizer o que está certo ou errado, mas para ajudar a pensar que em pleno século XXI em que vivemos, não dá para fechar os olhos e fingir que não há outros padrões que saem do tradicional. O conceito de família mudou. É preciso reconhecer.

Infelizmente o conceito de família tradicional, não é a única, por isso precisamos respeitar outros conceitos. Não somos obrigados a aceitar, mas somos obrigados a respeitar a escolha de cada um.

Se nos dias de hoje pessoas do mesmo sexo se unem, adotam crianças, e lhes dão todo amor e carinho, é porque os casais que se dizem tradicionais não se comportaram conforme a vontade de Deus para, educar, dar amor, um lar, como deveria. Quando surgem pessoas dispostas a fazerem o que os “certinhos deveriam fazer e não fizeram”, há criticas, discriminação, daqueles que querem dar um lar, carinho, amor, atenção. Esta é a hipocrisia social e religiosa que vivemos nos dias de hoje. Talvez aqueles que estão fora dos padrões agem e faz muito mais a vontade de Deus, do que aqueles que vivem na Igreja, com o terço na mão, a Bíblia em baixo do braço, e acham que estão arrasando, já estão salvos. Não é bem assim. Estão enganados.

Padrões, fé, não significam nada, quando não há coerência com a prática na vida, no cotidiano. Tenho certeza que Jesus acolhe estes que lutam para viver de forma honesta, sem hipocrisia, assumem o que são, e por isso são os marginalizados de hoje. Estes são os preferidos de Deus hoje.

No Dia do encontro com Deus, o que ele nos perguntará não é quantas vezes fomos à Igreja, o quanto rezamos, mas sim, o quanto amamos, o quanto buscamos conformar a nossa vida, com sua vontade. Isto contará.

É a fé da prática, com obras de misericórdia que nos leva a viver o Reino de Deus no hoje da história, e a prolongar para a vida eterna (cf. Mt 25,31-46). Não os padrões falidos, ou as falsas escolhas para agradar este ou aquele e ser infeliz o resto da vida.

Acredito na família tradicional, sincera honesta, mas acredito também, nos novos modelos de famílias de hoje que buscam viver a vontade de Deus dentro de suas escolhas.

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Política

O Espinheiro como Líder

Quero refletir sobre o tema de uma liderança. Muitas vezes, o anseio de um povo por dias melhores, condições melhores, faz com que se escolha um líder de forma aleatória, sem conhecer direito seu exato compromisso com a coletividade, e o que temos são, muitas vezes líderes desastrosos que ao ser colocado no poder faz tudo ao contrário do que parecia ser o ideal com qual sonhavam um povo, e com palavras e discursos sedutores, enganam, e governam para si e seus partidos, exclui o todo, para governar para alguns, e defender interesses escusos. Isso também acontece no âmbito religioso, quando se enaltece um determinado líder, e coloca-se toda a sua confiança no que ele diz e faz. Isso, faz com que o líder note a submissão de um povo, e o dominem para seus interesses pessoais, que inflam o seu ego, com o poder que tem sobre as pessoas, e determinado momento, mostram de fato, para que vieram. Quando se faz em nome de Deus, o perigo é ainda maior. Como já refleti em outro artigo, a Sagrada Escritura torna claro as prédicas do Deus verdadeiro, apresentado pelos patriarcas, profetas e revelado pelo próprio Jesus Cristo, e outro deus com poder parcial, que seduz, engana, leva à destruição. É preciso discernir pelas ações, qual Deus estão servindo.
Por isso, o perigo de se colocar em defesa de alguém, só porque seduz com palavras e promessas, é perigoso, tanto no âmbito político-social, quanto no religioso.
No livro dos Juízes o autor sagrado relata este anseio do povo de Israel, em querer alguém que reine sobre eles a todo custo, e a má escolha devido à precipitação, resultou em desastre para todos. É bom conferir em Juízes nos capítulos 7,8 e 9. Exatamente no capítulo 9 acontece a má escolha, não foi de boa-fé, mas ao contrário foi atitude precipitada que resultou em desgraça.
O autor sagrado ilustra esta má escolha com uma fábula para que todos entendam.
Joatão sobe ao cume do monte Garizim e lhes diz:
“Um dia as árvores se puseram a caminho para ungir um rei que reinasse sobre elas, disseram à oliveira: “Reina sobre nós! ”
A oliveira respondeu: “Renunciaria eu ao meu azeite, que tanto honra aos deuses como os homens, a fim de balançar-me por sobre as árvores? ”
Então as árvores disseram à figueira: “Vem tu, e reina sobre nós! ”
A figueira lhes respondeu: “Iria eu abandonar minha doçura e o meu saboroso fruto, a fim de balançar-me por sobre as árvores? ”
As árvores disseram então à videira: “Vem tu, e reina sobre nós! ”
A videira lhes respondeu: “Iria eu abandonar meu vinho novo, que alegra os deuses e os homens, a fim de balançar-me por sobre as árvores? ”
Então todas as árvores disseram ao espinheiro: “Vem tu, e reina sobre nós! ”
E o espinheiro respondeu às árvores: “Se é de boa-fé que me ungis como rei sobre vós, vinde abrigai-vos à minha sombra. Se não, sairá fogo dos espinheiros e devorará os cedros do Líbano!” (cf. Jz 9, 8-15).
Ações precipitadas resultam em desastres incalculáveis. No contexto que lemos esta fábula, o povo de Israel, não deixou Deus escolher quem seria o melhor líder, eles assumiram o lugar de Deus, a escolha foi frustrante.
Para um país que é considerado de maioria cristã, as ações que vemos muitas vezes são, de euforia, insensatez, atitudes totalmente opostas à fé que dizem professar, e repetem a mesma atitude do povo primitivo, de querer assumir o lugar de Deus, quando deveriam ser submissos a Deus. Deus muitas vezes é colocado à distância, à margem, e as escolhas desastrosas jamais podem ser atribuídas a Deus, não ao Deus de Jesus Cristo.
Que tal, se os cristãos se voltassem a Deus de todo o coração, e unânimes pedissem discernimento em suas escolhas, e com humildade, ouvissem a vós de Deus. Ele fala sim, não é uma estátua, nem tão pouco algo abstrato, é só abrir as Escrituras e ouvi-lo. Deus se comunica com as pessoas, de forma simples, de forma que o entendam, e coloquem em prática suas palavras, sem fundamentalismo, fanatismo, mas na simplicidade do seu Espírito.
Olhando para o texto Sagrado, somos sempre convidados a agir bem no hoje, para termos um futuro melhor.

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Política

O Dragão, a Besta e seus seguidores

Está comum muitas manifestações e cada vez mais pessoas e mais ainda, cristãos, aderindo a certos movimentos, que se dizem pró- democracias, em nome da moral e da ordem, exercerem verdadeiros atos insanos, e defendendo líderes que falam em nome de Deus, usam frases isoladas da Sagrada Escritura, fora de contexto, para favorecer seus atos criminosos, insensatos, e ganância pelo poder, de dominar como se fosse um “deus”. Isso atrai adeptos, que desconhecem a Sagrada Escritura, e o verdadeiro Deus, apresentado por Jesus Cristo.
O Deus de Jesus Cristo é um Deus, que sempre esteve e estará ao lado dos mais vulneráveis, sem, no entanto desprezar quem não se encontra em tal situação. Ele é Pai de todos, quer que aqueles que têm situações abastadas, olhem para aqueles que mais sofrem, aqueles que exercem autoridades públicas lutem pelo bem comum. Este é o Verdadeiro Deus!
Mas é verdade também que a Sagrada Escritura apresenta outros deuses, com um poder parcial, capaz de seduzir, enganar, qualquer pessoa que desconheça as atribuições do verdadeiro Deus, camufla-se de bom, demonstra estar preocupado com as pessoas, se faz de a última alternativa que um povo espera, mas cuidado, é propaganda enganosa.
A isto, temos no contexto do livro do Apocalipse, escrito por São João Apóstolo, por volta do ano 95 d.C., quando o Império Romano estava assolando os povos, com seu domínio sanguinário, e neste período, muitos cristãos foram martirizados, por não aceitarem ou se curvarem aos desmandos do Imperador, chamado César.
César atribuiu para si o titulo de “deus”, onde todos deveriam curvar-se e prestar culto de adoração, e quem não o fizesse deveria morrer. É neste contexto opressor que nasce o livro do Apocalipse de São João, com sua linguagem apocalíptica, típica dos profetas de Israel, e também carregado de simbologias.
Para que seu escrito chegasse aos cristãos, São João escreve de forma simbólica, o qual só os cristãos entendiam, e os opressores não. Assim, quando se refere ao Dragão, ele quer dizer a antiga serpente, o diabo, satanás (cf. Ap. 12, 9ss). A Besta, era a forma que ele se referia ao Imperador César, pois todas as atrocidades que o imperador cometia, era porque tinha sido lhe dado tal poder (cf. Ap. 13, 2b), e tinha ainda aqueles que foram marcados com número da Besta, isto é, os adeptos do imperador, que compactuavam com ele e seus crimes, este número é simbolicamente representado por 666, este é o número considerado imperfeito na linguagem bíblica. Assim realmente o imperador, tinha poder, parcial, era como um deus, que dominava, persuadia, enganava, e matava, quem não o reconhecesse como tal.
Qualquer semelhança com a realidade atual, não é mera coincidência. Usa-se o nome de Deus para sustentar o poder, e autoridade, mas é preciso discernir a partir de um conhecimento sério do verdadeiro Deus, as atitudes equivocadas, do autoritarismo, e do recrutamento de adeptos, e muitos cristãos envolvidos. Qual Deus é esse? É o Deus de Jesus Cristo, ou é o deus do imperador, o Dragão, que o faz um semideus?
Não é porque certas autoridades usam o nome de Deus, a seu favor, significa que esteja falando do Deus que Jesus Cristo nos revelou. É preciso discernimento, prudência, para não ser enganado. É muito fácil ser seduzido, sem um conhecimento da Sagrada Escritura, principalmente do segundo Testamento, o qual Jesus Cristo, na plenitude dos tempos nos revela o Deus único e verdadeiro. A Sagrada Escritura mostra o verdadeiro Deus, mas também mostra outros deuses, e suas atitudes, qual deles está sendo seguido?
O Deus de Jesus Cristo, não aprova violência, depredação, discriminação, não faz acepção de pessoas, não exclui, não deseja armar pessoas como se tivessem em uma guerra, mas, ensina aos seguidores de seu Filho, a serem pacificadores, abertos ao diálogo, e nunca pagar o mal com o mal, mas vencer o mal com o bem. Se é assim as ações que vemos, então estamos no caminho certo. Mas se é o contrário que vemos, então, o caminho está errado, e o Deus é outro.
Lutar por direitos sim, sem dúvida, se manifestar a favor ou contra algo que não pareça certo, perfeito, mas fazer isso com categoria, responsabilidade, dentro dos limites.
Cuidado, qual Deus estão dizendo que está acima de todos?

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Atualidade

Diversidade, Tolerância, Respeito.

Vivemos em um mundo pós-moderno, onde se torna cada vez mais inadimissível, a intolerância com aquele que pensa, age, ou crê de forma diferente aos “padrões” impostos. Viver a diversidade sem demonizar o outro porque é diferente, é caracteristica de um povo civilizado, onde o respeito mútuo ganha notoriedade, e assim uma sociedade pode viver e promover a paz.
O que se observa nos últimos tempos, é uma intolerância com o diferente, é como se a sociedade, as pessoas, tivessem regredido. Impera muitas vezes um facismo, que não suporta o diferente, e que somente “suas teorias e crenças são a verdade!”
Isto é um retrocesso da sociedade pós-moderna. Diversidade não significa uniformidade, não se pode “engessar” as pessoas em um único modelo, ou valor.
O que mais causa estranheza e preocupação, são aqueles que se dizem cristãos sejam leigos, ou líderes religiosos, políticos, agir de forma hostil ao diferente, ou instigar às pessoas a isso, significa que não conhece a fé que diz professar, ou está preso em histórias do passado que não viveu, e assim, em nome de uma pseudo crença, promove barbáries, contra seus semelhantes.
“Qualquer forma de discriminação, nos direitos, fundamentais da pessoa, seja (esta discriminação) social, cultural, ou que se fundamente no sexo, na raça, na cor, na condição social, na língua ou na religião deve ser superada e eliminada, porque contrária ao plano de Deus” (CIC 1935).
É importante refletir neste tema da diversidade, pois nestes tempos difíceis que a humanidade atravessa, o que mais causa danos às pessoas são as diferentes formas de discriminação. A reflexão deve levar cada um a pensar, e buscar agir diferente, com mais, tolerância e respeito ao diferente. Deve-se repudiar qualquer movimento, seja político, social ou religioso, que insentive ou promova tais comportamentos débeis e danosos à convivência humana. Século XXI, a humanidade evoluiu no conhecimento, mas nas atitudes e ações, regrediu muitos séculos. O que devemos deixar como herança para nossas próles são valores, pautados na ética, no Bem Comum, se não, vamos deixar uma herança “maldita”, de mal comportamentos, de ignorância, e falta de respeito, que levará os seres humanos à auto-destruição.
Nenhuma religião, ou partido político é dono da verdade! Todos devem se empenhar ao diálogo, e buscar o que beneficia a todos. Não existem padrões uniformes, onde colocamos as pessoas, para pensar, agir, crer, falar tudo igual. Existe a diversidade, onde todos devem ser respeitados e respeitar, e cada um de acordo com sua formação social, cultural, religiosa, se empenhem em colocar seus conhecimentos para o o diálogo, a paz e o bem comum.
Diga não a qualquer tipo de discriminação ao diferente.

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Espiritualidade

Liberdade

Fala-se muito em nossos dias sobre liberdade, mas será que as pessoas sabem realmente o que é liberdade?

Na concepção de boa parte da sociedade, liberdade é fazer, como dizem na giria popular “o que der na telha”. Para muitos, falar sem pensar, sem fundamentos, jogar palavras ao vento é sinônimo de liberdade, e isso não está correto. Para outros, liberdade significa difamar, expor a vida de outros, estimular o ódio contra outrem sem pensar nas consequências, veicular notícias sem uma fonte segura, distorcer fatos, isto também não é liberdade e sim atentado contra a liberdade, adulteração da liberdade! A fé cristã católica tem sua definição de liberdade.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC), nos parágrafos 1730,1731 e 1732, nos dá a definição de liberdade:

“Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos”. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição”.

“A liberdade é, o poder, baseado na razão e na verdade, de agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança”.

“Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar. Ela caracteriza os atos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou repreensão, de mérito ou demérito”.

“Quanto mais a pessoa pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”.

A própria fé cristã e a doutrina da Igreja Católica, reconhece que Deus dotou o ser humano de liberdade. E a própria Sagrada Escritura como vimos a cima, diz: que “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14). Neste ponto de vista, entendemos que Deus não interfere nas escolhas de cada um. Isto é importante perceber para não culpar Deus pelo que acontece na sociedade ou na vida individual de cada ser. Se a sociedade vai bem, se luta pelo Bem Comum, é sinal que a liberdade está sendo colocada em prática. Quando a sociedade vai de mal a pior, é porque a deturpação da liberdade, a falsa liberdade está sendo colocada em prática. Deus não é o culpado e sim as pessoas.

Em nossos dias vivemos na era digital, e as famosas “fake news”, as notícias falsas, instigam a sociedade ao ódio, à difamação, intolerância, para acobertar crimes, e favorecer grupos de pessoas, principalmente políticos. Isto tudo, acontece em nome da liberdade, e não é, isto é adulteração, é abuso, é crime contra a liberdade. Se expressar, ir e vir, escolhas pessoais, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, tudo isso é liberdade, desde que não coloque em risco pessoas ou instituições. O fato de uma pessoa discordar do meu modo de pensar, ou agir, não significa que esta pessoa é meu inimigo ou adversário, está dentro de sua liberdade. Isto também se chama respeito! E é na diversidade que construímos uma sociedade, diversidade não é uniformidade.

A própria Constituição Brasileira defende a liberdade de cada indivíduo, mas, usar dessa liberdade para prejudicar alguém,  é atentar contra a liberdade, isso deve ser investigado, e a justiça deve ser feita a quem tem o direito. “direito de ir e vir, o direito a liberdade , está garantido pelo inciso XV do art. 5º da Constituição Federal de 1988, não é absoluto , visto que está limitada e condicionada pelas normas de convivência social e nos termos da lei.

Caro leitor, precisamos entender que liberdade não é dizer ou fazer o que quer, há limites, a minha liberdade termina onde começa a do outro, se formos pessoas instruídas em valores e conhecimento, viveremos em harmonia. A falta de investimento em Educação eficaz, compromete o futuro de uma sociedade, em valores, harmonia, paz e organização social.

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Política

A força de uma Autoridade

Autoridade é uma palavra do termo latino que significa actoritate, é a base de qualquer organização hierarquizada. Em termos bíblicos autoridade é sinonimo de serviço, não daquele que manda, dá ordens apenas, mas que é colocado à frente de um povo, de uma instituição para servir. Vejamos: “Houve uma discução entre eles; qual seria o maior?” Jesus lhes disse: “ Os reis das nações as dominam, e os que as tiranizam são chamados benfeitores. Quanto a vós, não deverá ser assim; pelo contrário, o maior dentre vós torne-se como o mais jovem, o que governa como aquele que serve” (cf. Lc 22, 24- 26).

Temos a figura da autoridade, por exemplo na família, a autoridade dos pais sobre os filhos, na escola dos professores sobre os alunos, em uma instituição religiosa, dos seus lideres sobre os fiéis, de uma autoridade política, que é uma autoridade constituida, sobre uma Nação, Estado ou Município. É muito importante não confundir autoridade com autoritarismo, por exemplo, “aqui mando eu”, “sabe com quem está falando”?, etc… .

Claro que no texto bíblico citado acima, temos o contexto, e Jesus deixa isso claro, que é contexto religioso, dos seus discípulos que estavam sendo preparados, para darem seguimento em sua missão, mas sem soberba, e sim como servidores dos próximos discípulos que se agregariam a eles. Mas, contando que temos uma sociedade, em sua maioria cristã, e em diversos seguimentos da sociedade, autoridades que se dizem cristãs, então a forma de exercer a autoridade pela qual foi constituída, deve ser com este espírito cristão.

A força de uma autoridade é tão forte na concepção humana, que somente a presença de determinada autoridade, seja em uma cidade, em algum movimento social, ou religioso, significa sinal de apoio. Não é preciso na maioria das vezes fazer discurso, somente um aceno, enche de confiança, segurança, esperança,  naquilo que estão fazendo.

Olhando tudo isso, é preciso refletir sobre o comportamento de algumas autoridades, que não deveriam se fazer presentes em determinados movimentos, falar a revelia, expor seus pensamentos subjetivos, mas deveriam lembrar que representam uma Instituição, ou uma Nação, que sua postura deve ser a mais contida, e suas palavras devem ser meticulosamente medidas, para que sua presença ou discurso seja imparcial, e não tendenciosas, ou cause escândalo nas pessoas. Uma autoridade nunca fala em primeira pessoa, mas sempre no plural. Quanto maior o exercício da autoridade, menos deve ser a exposição em determinados lugares, eventos, e menos ainda  tagarelar igual a um papagaio.

Assim, a sua postura será sempre respeitada por aqueles a quem exerce sua autoridade. Um exemplo que dou, é a presença do Presidente da República, em um movimento anti-democrático, alguns dias atrás, que pedia o fechamento do Supremo Tibunal Federal e do Congresso Nacional. Sua presença significou para todos aqueles que lá estavam, seu apoio, isso é grave! E suas declarações púbicas, são verdadeiros pensamentos subjetivos, que não representam a autoridade que exerce.

Este exemplo é para olharmos, e fazermos diferente. Muitos de nós exerce autoridade, como descrita acima, a pergunta que devemos fazer, é como eu exerço esta autoridade que me foi confiada? Procuro ter cuidado onde frequento, messo as palavras? Ou nunca parei para pensar que à frente de uma instituição, em um cargo público, o que conta é e será sempre a autoridade que exerço, e o que represento? Pensemos nisso, para não repetirmos maus exemplos.

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Espiritualidade

Deus só sabe Amar!

“ Eu não tenho prazer na morte de quem quer que seja, oráculo do Senhor” (Ez. 18,32).

Desde que o mundo tomou conhecimento da pandemia viral que está afetando a todos, acompanhamos pelas redes sociais muitas orações, pregações e ensinamentos equivocados sobre Deus, mostrando muitas vezes uma imagem caricata de um Deus verdadeiramente horroroso, castigador, atribuindo a Ele o mal que nos aflige. Isto não tem base nem fundamento, não apresenta esperança, a não ser terror psicológico e opressão.

O Deus revelado por Jesus Cristo é amor, misericórdia, compaixão, um Deus que nos ama com amor de mãe.

Precisamos como cristãos filtrar aquilo que lemos, ouvimos, e de onde ouvimos para não disseminar inverdades em nossas redes sociais.

O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP (PUC- SP), Fernando Altemeyer Junior escreveu recentemente sobre amuletos e proteção. Em um trecho o professor destaca que “a maneira de ver a religião como amuleto de sorte, ou posse de objetos sagrados que salvassem do mal que todos estamos submetidos, é tremendamente defeituosa e caricata de Deus. Falsifica Deus, e o faz ser um agente do mal”. Em outro trecho o teólogo afirma que “a oração não é vacina nem antidoto, se fosse assim as dezenas de padres mortos em Bolonha estariam vivos! Fé é força da esperança de quem crê e confia sem resultados aparentes. Pessoas de fé morrem e as vezes mais que os incrédulos. Fé não salva uns e mata outros, protegendo uns e descriminando outros. Se fosse assim, estaríamos dizendo que Deus detesta Itália e ama o Brasil”.  

“Deus nos ama por igual, crente ou ateu, mesmo se não rezássemos nem um pai-nosso. Deus é Pai e perdoa antes que abramos nossa boca. Atenção para este tipo de religião mágica de barganha e privilégios”.

É preciso ter discernimento principalmente nos momentos difíceis da vida. Fechem os ouvidos para tais pregadores sensacionalistas e fundamentalistas, de qualquer denominação religiosa, que visa ganhar adeptos para si não para Deus.

No mesmo artigo que cita o professor Altemeyer, há uma entrevista com o Bispo presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da (CNBB), Dom Pedro Carlos Cipollini, ele esclarece a respeito desta pandemia à luz da fé. Dom Pedro é questionado se Deus manda o vírus para converter o povo, ele responde: “ Não é Deus que manda. Esta visão de que Deus castiga e pune não está de acordo com a revelação que Jesus nos faz do Pai, que não quer a morte do pegador, mas que se converta e viva. Jesus disse ainda quero a misericórdia e não sacrifício”.

Em outro trecho da entrevista Dom Pedro diz que: “Deus permite as consequências das ações do próprio homem que hoje por exemplo está de certa forma, destruindo a natureza, a terra, a nossa casa comum. Isto porque Deus, é Pai, mas não paternalista, ele permite que soframos as consequências de nossas escolhas”.

Deus é Pai, não paternalista, Ele perdoa os nossos pecados, mas suas consequências permanecem. “A fé é sempre uma armadura do espírito, mais que evitar, vencer o mal em todas as suas manifestações”, nos diz Dom Pedro.

Caros leitores, passemos por este tempo difícil com fé e esperança no Deus da vida. O Deus que castiga é falso, não existe.

Referência

Site : http://www.cnbb.org.br – 03/04/2020.

“A paz esteja convosco”

Estamos vivendo momentos difíceis na história da humanidade. Onde um vírus nos fez despertar para a fragilidade humana, fez deparar-nos com nossos limites e entender que não vivemos em uma Ilha, mas precisamos mais do que nunca, uns dos outros.

Isto tem criado muitas perturbações no coração das pessoas. O vírus não atinge só órgãos vitais, mas também a psique, o espírito de cada um. Temos o líder maior da Nação e políticos alinhavados a ele que demonstram não estarem preocupados com vidas. Está “a economia acima de tudo”, até de vidas! Este tipo de pensamento e discurso, é semelhante ao de Adolfo Hitler em 1933, como observa o Papa Francisco em uma entrevista concedida ao site britânico The Tablet no dia 01/03/2020, e publicado na revista eletrônica veja, em 08/03/2020. O Pontífice se refere ao discurso populista europeu, mas é notório e claro que é a mesma postura adotada pelo chefe de Estado Brasileiro e outros líderes com ele. É verdade que muitos líderes tomaram posturas sensatas ouvindo e respeitando a ciência. Assim diz o Papa: “mas estamos percebendo que todo o nosso pensamento goste ou não, foi formado ao redor da economia. No mundo das finanças, tornou-se normal sacrificar pessoas para praticar a política da cultura do descartável. A crise que nos afeta, coloca em foco a hipocrisia de alguns grupos”.

Em meio a tudo isso, como é possível ter paz? Muitas pessoas perturbadas internamente adoecendo espiritualmente, o que fazer?

Primeiramente deve-se fazer uma higiene mental de notícias negativas. Focar em coisas boas e belas, para que haja um verdadeiro equilíbrio de corpo, alma e espírito. “Desinfetar” a mente, e o coração do bombardeio das notícias que nos chegam através dos meios de comunicação. Veja o essencial, e desconecte-se do que pode tirar a paz, leia mais, estude, aproveite o momento para se relacionar com os seus, se você é religioso ore mais, medite mais a Palavra de Deus, isso sim fará de você uma pessoa tranquila em paz consigo, e esta paz, sairá das fronteiras interior e atingirá à sua volta. Isto não significa ser alienado à realidade, mas sim, enfrentar tudo isso com serenidade, fé e esperança.

Quando Jesus, depois de ressuscitado se apresenta a seus discípulos amedrontados, fechados, por medo de tudo que aconteceu, Jesus se coloca no meio deles e diz: “A paz esteja convosco” (cf. Jo. 20, 19-21). A paz que Jesus oferece é a Shalon messiânica, não é a paz conquistada pelas armas, pela guerra, disputas de poder, mas é pelo amor, uma paz que nasce no meio dos conflitos. É preciso deixar-se penetrar por esta paz, que ela alcance as áreas da nossa alma, e coloque em harmonia o caos interno que ocorrem em nossos corações. Assim esta paz não eliminará as dificuldades, não acabará com os problemas, mas nos dará serenidade, sabedoria, para passarmos por elas principalmente por esta calamidade que estamos vivendo.

Busque esta paz, não se perturbe, não entre na onda das ideologias tóxicas elas perturbam e causam desgastes. É através da paz interior que muitas coisas se resolvem, com verdadeira sabedoria e com espírito coletivo para o bem de todos.

Caro leitor, cuide-se, busque a verdadeira paz, tenha fé e esperança, tudo isso vai passar, não há mal que dure.

Referências:

Site: www.veja.abril.com.br/mundo

Estabelecer limites, respeitar limites. Segredos para relações interpessoais bem sucedidas- Anselmo Grun/ Ramona Robbem. Ed. Vozes 2ª Edição.

Homilia- Frei Raniero Cantalamessa- sexta-feira santa: http://www.vaticannews.va

 (José Rafael da Costa. Bacharel em Teologia)

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Meu primeiro post no blog

TEOLOGIA DA PERIFERIA

A SERVIÇO DA VIDA

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