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Liberdade

Fala-se muito em nossos dias sobre liberdade, mas será que as pessoas sabem realmente o que é liberdade?

Na concepção de boa parte da sociedade, liberdade é fazer, como dizem na giria popular “o que der na telha”. Para muitos, falar sem pensar, sem fundamentos, jogar palavras ao vento é sinônimo de liberdade, e isso não está correto. Para outros, liberdade significa difamar, expor a vida de outros, estimular o ódio contra outrem sem pensar nas consequências, veicular notícias sem uma fonte segura, distorcer fatos, isto também não é liberdade e sim atentado contra a liberdade, adulteração da liberdade! A fé cristã católica tem sua definição de liberdade.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC), nos parágrafos 1730,1731 e 1732, nos dá a definição de liberdade:

“Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos”. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição”.

“A liberdade é, o poder, baseado na razão e na verdade, de agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança”.

“Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar. Ela caracteriza os atos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou repreensão, de mérito ou demérito”.

“Quanto mais a pessoa pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”.

A própria fé cristã e a doutrina da Igreja Católica, reconhece que Deus dotou o ser humano de liberdade. E a própria Sagrada Escritura como vimos a cima, diz: que “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14). Neste ponto de vista, entendemos que Deus não interfere nas escolhas de cada um. Isto é importante perceber para não culpar Deus pelo que acontece na sociedade ou na vida individual de cada ser. Se a sociedade vai bem, se luta pelo Bem Comum, é sinal que a liberdade está sendo colocada em prática. Quando a sociedade vai de mal a pior, é porque a deturpação da liberdade, a falsa liberdade está sendo colocada em prática. Deus não é o culpado e sim as pessoas.

Em nossos dias vivemos na era digital, e as famosas “fake news”, as notícias falsas, instigam a sociedade ao ódio, à difamação, intolerância, para acobertar crimes, e favorecer grupos de pessoas, principalmente políticos. Isto tudo, acontece em nome da liberdade, e não é, isto é adulteração, é abuso, é crime contra a liberdade. Se expressar, ir e vir, escolhas pessoais, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, tudo isso é liberdade, desde que não coloque em risco pessoas ou instituições. O fato de uma pessoa discordar do meu modo de pensar, ou agir, não significa que esta pessoa é meu inimigo ou adversário, está dentro de sua liberdade. Isto também se chama respeito! E é na diversidade que construímos uma sociedade, diversidade não é uniformidade.

A própria Constituição Brasileira defende a liberdade de cada indivíduo, mas, usar dessa liberdade para prejudicar alguém,  é atentar contra a liberdade, isso deve ser investigado, e a justiça deve ser feita a quem tem o direito. “direito de ir e vir, o direito a liberdade , está garantido pelo inciso XV do art. 5º da Constituição Federal de 1988, não é absoluto , visto que está limitada e condicionada pelas normas de convivência social e nos termos da lei.

Caro leitor, precisamos entender que liberdade não é dizer ou fazer o que quer, há limites, a minha liberdade termina onde começa a do outro, se formos pessoas instruídas em valores e conhecimento, viveremos em harmonia. A falta de investimento em Educação eficaz, compromete o futuro de uma sociedade, em valores, harmonia, paz e organização social.

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Por Teólogo- Rafael

Teólogo e Escritor.
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