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Espiritualidade

Contraditório!

Em um país que diz ser a maioria cristã, supõe um comportamento social, ético, religioso, de acordo com a fé que diz professar.

A fé é uma questão espiritual, mas que tem desdobramentos na prática social. É muito contraditório ter um comportamento dentro da Igreja, e outro na sociedade. Aprender que Deus não faz acepção de pessoas, e discriminar, por exemplo. Apoiar situações de mortes, como aborto, pena de morte, corrupção, etc….

No contexto do conhecido Sermão da Planície no Evangelho de Mateus, Jesus diz: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: Amais vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem, deste modo vos tornarei filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos”(cf. Mt 5, 43- 45).

Então pensemos bem, como podemos muitas vezes postar nas redes sociais, ou termos um comportamento igual às certas frases que vemos? Como:

“Valorize quem te valoriza”; Qual a recompensa nisso?

“Respeite quem te respeita”; Qual a novidade nisso?

“Ame quem te ama”; Isso até quem se declare ateu faz!

O diferencial do cristão está em ser algo mais.

Se o comportamento cristão é baseado no toma- lá- da- cá, é uma demonstração de fé interesseira, que não condiz com os ensinamentos evangélicos.

Valorizar quem não te dá valor; respeitar, mesmo quem não te trata com respeito; amar, quem, muitas vezes não merece ser amado. Eis o verdadeiro desdobramento da fé, na prática. Em nenhum momento é dito que é fácil viver tudo isso, mas se houver seriedade na fé, absorver os ensinamentos cristãos então, se torna possível. E a sociedade vai se transformando em pessoas mais tolerantes, pacíficas, menos discriminadoras e moralistas.

Pensem nisso!

Até a próxima!

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Atualidade

Quando o cuidado com os pobres incomoda!

Em verdade vos digo: “Cada vez que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”. (cf. Mt 25, 40).

O desdobramento da fé cristã deve ter consequências na prática, não basta ficar na fé romântica de dizer Senhor, Senhor… (cf. Mt 7, 21ss).

Por isso, começo este artigo com o versículo acima de Mateus capítulo 25, 31-46, o qual está inserido no discurso sobre o último julgamento. Diz o que irá contar no fim de tudo. Não é o ter, o poder, a ganância, o quanto viveu dentro da Igreja, o quanto orou, jejuou, mas o que se fez em favor do próximo, principalmente dos menos favorecidos de todos os tempos, os quais são classificados por Jesus de Nazaré como “pequeninos”.

Houve algum tempo atrás, exatamente no dia 20/10/2020 as 17h48minh, uma sabatina com um Deputado Estadual, candidato a prefeito da cidade de São Paulo, realizado pelo Jornal Estadão, e publicado pelo uol.com.br, site de notícias, que fez uma crítica ao apoio que o Papa Francisco fez ao padre Júlio Lancellotti, que faz um trabalho belíssimo com a Pastoral de Rua, em uma região central da Capital Paulista tomada pela cracolândia.

Assim como este nobre político, existem muitos pelo Brasil afora, que pensam da mesma forma. Mas porque o cuidado com os pobres incomoda tanto esta classe? Porque os pobres não tem nada para lhes oferecer. É perder tempo. É escandaloso, saber que tem pessoas que se dizem cristãs pensarem assim também.

Para políticos desta estirpe é melhor investir naquilo que pode dar retorno financeiro, para seu bolso, e que se dane os pobres, se puder joga-os na periferia da cidade, esconde do grande centro, assim lá ninguém os vê, e o glamour da área central volta a brilhar nos olhos dos gananciosos.

Para cristãos que tem a mesma linha de pensamento, é melhor lutar pela Igreja indiferente, que aposta no material, com glamour estético, nos bens imóveis, sinos de seis milhões, às vezes algumas instituições religiosas, recorre até a agiota para consolidar a ganância do ter! E o povo que pague por isso. Deus não precisa disso. No documentário feito por Wim Wenders, com o Papa Francisco, e está sendo exibido na Netflix, com o título: “Papa Francisco, um Homem de Palavra”, em determinado momento, o próprio Papa afirma que em uma Igreja que tem como centro o dinheiro, a riqueza, Deus não está nela. E enfatiza muito sobre a boa política que inclui a todos, principalmente os pobres, uma Igreja pobre para os pobres. Este é seu discurso inicial, que está até hoje, por isso, homem de palavra. Seu discurso fala para o mundo e não só para católicos.

Que todos tenham diante de si o valor moral supremo que é o amor ao próximo, na política e na religião. Porque será pedido contas das obras de misericórdia que praticamos ou deixamos de praticar. Que não ouçamos: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (cf. Mt 7, 23).

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Espiritualidade

Responsabilidade de Todos!

Na realidade pós- moderna que vivemos, somos muitas vezes seduzidos a viver um fechamento social e religioso, um individualismo, egoísmo, onde se houve muito o dito: “não tenho nada haver com isso!”. Preocupante e assustador quando este dito parte de cristãos, que vivem na Igreja, a pergunta é, como que estes cristãos oram o Pai- Nosso? Com que compreensão e intensidade oram? Será que só repetem palavras e acham que está bom? É preciso compreender o que se ora.

Em primeiro lugar a oração do Pai- Nosso, é a única oração ensinada por Jesus de Nazaré. Em segundo lugar é uma oração universal, porque engloba toda a humanidade. Terceiro, ela contém sete pedidos necessários e suficientes para a vida humana. Por isso, é a oração mais completa e perfeita que foi ensinada por Jesus (cf. Mt 6, 9-13).

Vejamos com detalhes esta oração, e seus sete pedidos.

Começa assim: “Pai- Nosso que estais nos céus”; vejam bem, Pai- nosso, reconhecemos que Deus é Pai de todos, daqueles que tem fé, do ateu, Pai de quem não é cristão, etc… Pai de todos, não de um grupo privilegiado de crentes. Queiramos ou não, somos todos irmãos e habitamos a mesma Casa Comum chamada Planeta Terra.

Primeiro pedido da oração: “Santificado seja o Vosso Nome”; o nome de Deus é santo, sagrado, não deve ser usado como marqueteiro de campanha política, nem para fins pessoais, egoístas.

Segundo: “Venha nós o vosso Reino”; este Reino deve nascer no coração de cada um, Reino de paz, de amor de justiça social, Reino de igualdade, porque este Pai- Nosso não faz acepção de pessoas.

Terceiro: “Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu”; Qual é a vontade de Deus? Jesus por diversas vezes ensinou. A vontade de Deus é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade, que todos vivam como irmãos não como inimigos, que todos tenham o suficiente para viver com dignidade, sem irmãos explorando irmãos.

Notem que os três primeiros pedidos se relacionam a Deus, os outros quatro é entre nós, uns com os outros.

Quarto: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”; o pão da Palavra de Deus, o pão da dignidade, da justiça, o pão da saúde, educação, trabalho para todos, da erradicação da fome, que ninguém passe fome, mas que tenham o necessário para viver bem.

Quinto: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”; se compreendemos e acreditamos que Deus sempre perdoa as nossas faltas, devemos perdoar também aos outros. Que ninguém termine o dia, sem pedir ou dar o perdão, quando necessário.

Sexto: “Não deixeis cair em tentação”; ninguém está livre de ser tentado, o próprio Jesus foi tentado, mas pode evitar cair, contando com a graça de Deus.

Sétimo pedido: “Mas livrai-nos do mal”; que não sejamos seduzidos pelo maligno, o qual é porta para tantas atrocidades, tantas injustiças, ganâncias, poder, exploração, corrupção etc… .

Quando oramos a única oração ensinada por Jesus, e compreendemos o seu significado, como cristãos jamais repetiremos o dito acima: “não tenho nada haver com isso!”.

Sendo Deus Pai de todos, somos todos irmãos nesta Casa Comum, então o sofrimento do outro tem haver comigo, a fome do outro, tem haver comigo, a falta de dignidade do outro tem haver comigo. A Casa Comum sendo devastada, explorada, tem haver comigo. Somos todos responsáveis.

Ou compreendemos o sentido de pertença de uns com os outros, ou caminharemos todos não para a salvação, mas para a autodestruição, que o individualismo conduz.

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Política

Civismo

Estamos vivendo mais um período eleitoral, onde todos os cidadãos são chamados a exercer seu civismo, seu direito de escolher quem vai governar o executivo e quem vai legislar em favor da sociedade. Veja bem, governar e legislar em favor da sociedade, do bem comum e não do interesse de alguns, ou de partidos!

A etimologia da palavra civismo deriva de “cidadania”; dedicação e fidelidade ao interesse público, patriotismo.

É dever de todo cidadão se sentir envolvido na sociedade, principalmente nos momentos de decisões coletivas, onde o que está em jogo não é o interesse individual, mas o bem comum de todos que vivem na mesma sociedade. Quem não se envolve com os assuntos relevantes da sociedade vive à margem, ou como um ‘parasita”, que está sempre encostado em alguém, na opinião dos outros, não tem senso crítico das coisas, e se deixa levar pela letargia, e assim não colabora com a sociedade em que faz parte.

Alguns para se esquivar do comprometimento social dizem: “Eu não entendo nada, por isso não me envolvo”; outros escorados nas suas convicções religiosas, principalmente aqueles que são cristãos católicos, dizem: Que “fé não pode se misturar com política”- É preciso conhecer sua religião para não falar do que desconhece! E assim, com essas e outras desculpas, não assumem seu papel de cidadão, deixam para os outros decidirem. Mas quando algo vai mal, se torna crítico. Mas, por quê? Quem não colabora, não tem o direito de criticar.

Que todos possam exercer o civismo, de maneira consciente, votando, e sempre pensando no coletivo, nunca no individual.

Para aqueles que querem exercer o civismo se colocando como pré-candidatos, não prometam, mas proponham, apresentem projetos, não difamem os adversários, foquem no que pode ser feito para o bem de todos. Não se escorem em religiões, muitas vezes apresentando uma imagem falsa de Deus, mas com suas convicções religiosas que definem sua moral e caráter, aja com honestidade, isto é o maior exemplo de fé e testemunho que alguém pode dar, falar não é testemunhar. Fazer o que Deus ensina na prática cotidiana sim.

Quando o civismo é exercido por todos, cada um no seu lugar, todos ganham, eleitores conscientes do seu papel, pré-candidatos conscientes do que será o seu papel, haverá uma sociedade melhor.

Termino com esta frase do Papa Francisco: “Temos que trabalhar urgentemente para gerar boas políticas, para conceber sistemas de organização social que recompensem a participação, o cuidado e a generosidade, e não a indiferença, a exploração e os interesses particulares. Temos de ir adiante com ternura. Uma sociedade solidária e equitativa é uma sociedade mais saudável”.

Referencias:

https://jus.com.br – Leonardo Fischer- Ideias de civismo, educação e cidadania- publicado em 02/2018.

https://www.vaticannews.va- Catequese do Papa- A tecnologia jamais substituirá a ternura. 30/09/2020.

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Atualidade

Questão de Consciência

“A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (CIC & 1776).

Esta é a definição de consciência do Catecismo da Igreja Católica. É uma Lei natural inscrita por Deus no coração humano.

Mesmo que alguém não professe religião alguma, se declare ateu, Esta lei natural está intrinsecamente no ser humano. Através da consciência, digamos desta voz interior somos conduzidos e orientados em nossas escolhas. Fazer o bem e evitar o mal.

A consciência sendo um núcleo secretíssimo, um sacrário inviolável, como vimos na definição acima, não há nada, ou ninguém que possa perscrutar ou interferir de modo a persuadir, ou até mesmo violar, ou reprovar o que está neste íntimo do ser humano. Nem mesmo a religião com seus dogmas e regras. Por tanto, o grande juiz de nossas ações é a própria consciência.

Como está presente no coração da pessoa, a consciência moral age no momento oportuno, orientando a fazer o bem e evitar o mal (cf. CIC 1777).

Escolhi este tema, para refletir no caso ocorrido recentemente na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo. Quem não acompanhou este caso pelos meios de comunicação e redes sociais?

Do catador de materiais recicláveis que encontrou um cofre com uma quantia de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais) em cédulas, no fundo falso de um cofre.

Para um trabalhador simples como seu Manoel de Sá, de 63 anos que luta para ganhar seu dinheiro honestamente, e dele tirar o sustento, uma quantia dessas, em espécie iria lhe dar uma guinada na vida.

Mas não. Ele é honesto, ouviu sua consciência, de não se apropriar do que não lhe pertence, não hesitou em entregar às autoridades. E ainda respondeu ao repórter: Eu gosto de deitar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Não conseguiria fazer isso se tivesse pegado o dinheiro. Usei minha honestidade que meu pai e minha mãe me ensinaram”.  Este ensinamento ressoou em sua consciência. Que exemplo!

Em uma sociedade, corrupta, corrompida pelos interesses mesquinhos e egoístas, de “quem pode mais chora menos”, desponta seu Manoel de Sá, e dá uma lição a todos nós, que é preciso escutar a voz interior, mesmo que muitas vozes externas falem o contrário.  Este homem é rico, não de bens materiais, mas de honestidade, moral, dignidade. Este sim é abençoado por Deus.

Que nasça muito Manoel, na sociedade, na política, na religião, com esta consciência. E desapareçam os exploradores, egoístas, interesseiros, que se travestem de honestos com discursos falsos, mas nos bastidores do poder, querem extinguir, calar e chamar de tolos os muitos “Manoel” presentes em nosso meio.

Referencia:

https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba- 28/08/2020

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Espiritualidade

Você sabe o que é providência?

É comum no meio religioso o uso da palavra providência quando se pede algo a Deus e espera conseguir. Deus providenciará, ou eu creio na providência de Deus, etc…

A providência vem do verbo prover, fornecer. Muitos cristãos imaginam a providência, como algo passivo, por exemplo, “eu oro e espero Deus realizar”, ou, na esfera social, “eu vou atrás de um político e ele tem que resolver o que eu quero”, isto também é providência. Não é assim que funciona. Isso se chama comodismo, ou quer as coisas do jeito mais fácil.

Tanto na esfera religiosa, quanto na social, providência tem sempre um movimento duplo, não é esperar que as coisas “caiam do céu”, sem o meu esforço, isso não é esperar da providência e sim, ser acomodado que espera sempre dos outros sem fazer nada. E como há gente assim na Igreja e na sociedade!

 Um exemplo: “Há, você vai à Igreja? Ore por mim”- e o que ele faz por ele mesmo? Outra forma de desvirtuar o sentido de providência: “Você conhece tanta gente, consiga um emprego para mim”. Comodismo espera passiva, de quem não quer nada, não sai da zona de conforto para o confronto com a realidade.

A providência é você orar e sair da oração para ação, fazer sua parte, lutar, correr atrás, quer um emprego, vai atrás, mostre-se interessado, isto é providência. Da parte de Deus Ele nos dá inteligência e sabedoria, da nossa parte, o esforço, a coragem, a determinação, para usar dos talentos que Deus nos dá. A todos Deus dá talentos, não deixa ninguém de fora. O multiplicar os talentos deve ser por nossa conta. Leiam a parábola dos talentos que está no Evangelho de Mateus 25,14-30, Deus é aquele que distribui os talentos conforme a capacidade de cada um, a criatividade de multiplicar estes talentos é individual, enterrar os talentos, significa se acomodar, ser preguiçoso, é muitas vezes esperar que outros façam por ele.

Assim nasce a falsa compreensão da providência. É preciso entender que Deus faz a parte Dele, e nós temos a nossa parcela de contribuição em tudo. Deus nunca fará a parte que cabe a nós seres humanos.

Acredite na providência, ela existe, desde que tenha colaboração mútua, a parte de Deus e a sua. Se não, vai continuar no mesmo lugar e esperando que as coisas aconteçam como um passe de mágica.

Termino com uma frase de Santo Inácio de Loyola que dizia: “Ore como se tudo dependesse de Deus, e trabalhe, como se tudo dependesse de você”.

Até a próxima.

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Atualidade

As vacas de Basã

Para entendermos este título, é preciso mergulhar na leitura completa do profeta Amós no Primeiro Testamento.

Amós era um pastor em Técua nos limites do deserto de Judá. Totalmente alheio às confrarias dos profetas de sua época. Foi escolhido pelo próprio Deus para profetizar ao povo escolhido, ao povo de Israel.

Amós mesmo não tendo pretensão alguma em ser profeta, sente-se convocado por Deus, em um período histórico governado pelo rei Jeroboão II (783- 743) a. C.

É uma época gloriosa, humanamente falando, em que o reino do Norte se estende e se enriquece, mas na qual o luxo dos grandes insulta a miséria dos oprimidos. E na qual o esplendor do culto, disfarça a ausência de uma religião verdadeira.

Nesse contexto, Amós exerce seu profetismo, com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens do homem do campo, Amós condena em nome de Deus a vida corrupta das cidades, as injustiças sociais, a falsa segurança posta em ritos, nos quais a alma não se compromete ( cf. Am 5, 21-22).

A função do profeta é exatamente essa, anunciar a vontade de Deus, e denunciar o comportamento contrário a essa vontade, principalmente quando os mais pobres são as grandes vitimas. Deus sempre esteve e está ao lado dos pobres.

As vacas de Basã é uma alusão usada contra o comportamento interesseiro das mulheres da época, residentes em Samaria. Basã, na Trasnsjordânia era célebre por suas pastagens, e seus rebanhos. Os touros de Basã eram símbolos da força violenta. Neste contexto em que o livro de Amós foi escrito, as vacas de Basã, são símbolos do espírito interesseiro das mulheres de Samaria (cf. Am. 4, 1-3).

Qualquer semelhança com nossa contemporaneidade, não é mera coincidência. Também nos dias de hoje, a corrupção, as injustiças sociais, a falsa segurança apresentadas, usando o nome de Deus, são o vírus que mata as pessoas, principalmente os mais pobres.

Em nenhuma época foi usado tanto o nome de Deus como em nossos dias, para acobertar as corrupções, tanto políticas quanto religiosas, que beneficia somente ricos, clãs familiares, e explora os mais pobres ou nem se quer olham para eles.

Alguns cristãos entram neste jogo vil, e se comportam como as mulheres de Samaria do tempo do profeta Amós. Se vendem por uma vida confortável, usam da fé, como objeto de negócio, mas não há comprometimento sincero, de coração, pela transformação social. Quanto mais pobreza e miséria, melhor. Assim, se pode usar destas situações para se auto promover, ganhar eleições, falar em nome de Deus. Mas fica só no discurso, porque as pessoas mais pobres nunca veem as transformações em suas vidas. Aqueles que estão nas periferias, existenciais e geográficas, são os últimos, ficam com o resto, o refugo dos grandes centros. Mas não podemos esquecer, que estes últimos são os prediletos de Deus.

Que todos os cristãos, católicos ou de outras denominações cristãs possam refletir o livro do profeta Amós, e entender que Deus quer a vida por completo para seu povo. Não só salvar almas, mas a pessoa por inteiro.

Cristãos que se vendem por interesses escusos causam escândalos de fé na sociedade.

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Política

Fé e Política

Fé e política podem andar de mãos dadas?

A política é arte ou ciência de organização, direção e administração de nações ou Estados.

Existem dois tipos de política. A política social, e a política partidária. Qual a diferença entre ambas?

A política social é aquela em que as pessoas são ativas na vida da sociedade, por exemplo: quando se reivindica junto ao poder público melhorias para o bairro,  uma escola, posto de saúde, abertura ou manutenção de ruas, um ponto de ônibus, etc.., isto é política social, é lutar pelo bem comum.

A política partidária como o próprio nome já diz, é parte, parcela da sociedade não toda a sociedade.  Ela se divide em grupos que tem seus interesses por de trás, seja do próprio grupo, seja interesses de classes que elaboram um projeto para toda a sociedade. Se um desses grupos chegarem ao “poder”, irão governar conforme o seu programa de governo e sua visão partidária dos problemas.

Por isso é importante analisar os seguintes pontos:

Qual é o projeto do partido; o povo entra neste projeto; foram ouvidos os anseios do povo em suas bases, a defesa da vida e da dignidade? Estes poucos critérios já são suficientes para analisar o perfil do partido e dos candidatos.

A política partidária por ser parte há muitos conflitos, pois tem projetos e programas diferentes o que é positivo, mas apesar dos conflitos partidários, os políticos são adversários e não inimigos, de modo que deve ficar claro que período eleitoral não é ringue de luta, onde tenta-se ganhar atacando ou ofendendo o adversário e com isso colocando o povo a se digladiarem nas ruas, isso é muito negativo. A política se faz como dissemos acima, apresentando projetos que irão beneficiar não somente uma parte da sociedade, mas toda a sociedade. Xingamentos, ofensas pessoais, pode ser qualquer outra coisa, menos política, e deve ser repudiada pelas pessoas de bem.

A fé tem a ver com Deus e a sua Revelação. “Mas ela está dentro da sociedade e é uma das criadoras de opinião e de decisão” (Leonardo Boff). É pela fé no Deus da vida, que as práticas se concretizam na solidariedade, na justiça e no bem comum denunciando todo tipo de opressão.  Como podemos ver, politica é sinônimo de ética. Sem a ética, a fé fica vazia e inerte. Para Deus o que conta são as práticas e não as prédicas. Não adianta dizer: “Senhor, Senhor…” (Mt 7,21).  Fé e política se encontram juntas na vida das pessoas.

A política é laica, pois o Estado é laico. O cristão leigo pode e deve fazer política partidária, a fé cristã e o evangelho oferecem os critérios de orientação.

Que a “nobre arte da política”, seja respeitada pelos partidos e que não haja interesses escusos, mas o Bem Comum seja o centro das campanhas.

O cristão católico que diz que política não tem haver com a fé, não conhece os documentos da Igreja. É preciso estudar o que a Igreja diz a respeito. A Igreja orienta, mas não toma partido, porque seu objetivo é unir e não dividir. A escolha deve ser sempre pessoal, a partir de uma orientação coerente. Presbitério de Igreja, Púlpito de Igreja, não é palanque político.

Seja crítico, questione posições, posturas políticas não éticas, usar da religião para se eleger é oportunismo, discirna, olhe o histórico de seu candidato. Veja se ele tem projeto que abrange o todo ou somente alguns. Se olha para as periferias ou foca sua ação nos grandes centros. Lembrem-se, o político é um servidor do povo, sua autoridade é servir!

Como teólogo, tenho o dever de orientar, conforme os critérios éticos, primando sempre pela imparcialidade, para não incorrer o risco de ser tendencioso.

Que todos façam a escolha, que suas intuições e discernimentos lhes indicarem.

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Política

Símbolos Religiosos nas Repartições Públicas. Certo ou Errado?

O Estado brasileiro, como a maioria dos Estados modernos, é laico. Quer dizer: respeita todas as religiões e seus símbolos, sem aderir a nenhuma delas. Garante-lhes a liberdade de seu exercício, logicamente, dentro do quadro legal do país.

Veja a coragem deste frade face ao fato de o Ministério Público Federal de São Paulo haver ajuizado a ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas.

O frade Demetrius dos Santos Silva, corajoso, reagiu positivamente a esta decisão com estas palavras verdadeiras:

“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas.

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.

Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.

Não quero ver, muito menos, a Cruz em pronto-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e dos sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos “.

Assinado: Frade Demetrius dos Santos Silva.

Sites em que o texto foi publicado

https://leonardoboff.org- publicado em 22/01/2020

https://revistaforum.com.br- publicado em 23/01/2020

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Espiritualidade

A misericórdia de Deus não exclui ninguém.

Estamos acostumados a ouvir muitos discursos sobre Deus. E o que mais é evidenciado, é uma imagem distorcida que muitas vezes causa terror, pressão psicológica, e cria uma certa repulsa ao Deus que é apresentado.

Por isso a Teologia deve estar atenta aos vários discursos sobre Deus que são apresentados. Muitas vezes atrás dos discursos de um Deus castigador, justiceiro, punitivo, há uma única intenção, o monopólio psicológico das pessoas, por cristãos mal intencionados. Quanto mais manipular a fé mais fácil de ter controle absoluto sobre as pessoas e obter o que se pretende.

O Deus da Bíblia é totalmente diferente do que se prega muitas vezes nas Igrejas. O Deus da Bíblia é amor, misericórdia, perdão. Acrescentar um “mais”, nesses atributos de Deus, significa adulterar Sua verdadeira imagem.

É verdade que às vezes, as pregações e discursos têm tons ameaçadores, que não converte ninguém, não muda a vida de ninguém, só prejudica a vida psicológica das pessoas. E às vezes com certa pitada de sarcasmo, deseja que realmente Deus seja vingador, tirano com certas pessoas.

Assim aconteceu com Jonas, o livro de Jonas é uma narrativa, no primeiro Testamento, que mostra um profeta desobediente, num primeiro momento tenta fugir da missão que Deus lhe confia. Mas não conseguindo fugir encara a missão na grande cidade de Nínive. No entanto, o profeta vai com o pensamento de ver a cidade destruída, para assim se cumprir o que ele anunciara. Seu egoísmo fala mais alto.

Para sua surpresa a destruição não acontece, porque o povo cai em si, se arrepende dos seus pecados, faz penitência, e Deus tem misericórdia dos habitantes da grande cidade. Isso causa revolta em Jonas, e diz a Deus: “Por isso fugi apressadamente para Társis; pois eu sabia que tu és um Deus de piedade e de ternura, lento para a ira, e rico em amor e que se arrepende do mal” (cf. Jonas 3, 2). Jonas reconhece diante de Deus sua arrogância de profeta, que a sua intenção era ver a cidade destruída. Mas Deus não pensa assim. O verdadeiro atributo de Deus o próprio profeta reconhece.

Assim são alguns cristãos dos nossos dias, conhecem muito bem as características de Deus, porém em suas arrogâncias religiosas, prefere apresentar um Deus terrível, implacável, destruidor. Este pequeno livro de apenas quatro capítulos, rompe com o particularismo de algumas religiões que pregam a salvação somente para seu grupo ou comunidade, ou para aqueles que “fazem tudo certinho”, e apresenta um Deus que ama a todos sem distinção. Ele ama aquele que vive sua fé de maneira intensa, e ama de forma igual, aquele que nunca entrou em uma Igreja, nunca recitou uma oração se quer, ou até mesmo se declara ateu.

Deus teve misericórdia do seu profeta afligido pelo seu egoísmo, e teve misericórdia de Nínive que reconheceu suas maldades.

Cristãos, é hora de apresentarmos o verdadeiro Deus às pessoas, e não projetar a Deus aquilo que muitas vezes é uma intenção subjetiva, egoísta da nossa parte.

Deus sempre esteve e estará a nossa espera, para nos amar com amor de mãe! Destruir alguém, nunca foi característico de Deus. Seu objetivo é salvar a todos.

Para Deus não existe pessoas com rótulos, existe o ser humano seus filhos e filhas amados.

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