“Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu- os as pessoas que estavam sentadas, e igualmente os peixes lhes deu quanto queriam” (Jo. 6, 11).
Ao refletir neste versículo do Evangelho de São João capítulo 6, 1- 14, o qual está no contexto em que o evangelista relata que uma multidão seguia Jesus por verem os sinais que ele realizava em benefício dos enfermos, e mostra-nos o evangelista, que Jesus se preocupa com o povo, que eram de maioria humildes, simples, e provoca seus discípulos com uma pergunta pedagógica: “onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” (Jo. 6, 5).
A “provocação” pedagógica de Jesus é para instigar seus discípulos- seguidores a buscar solução para que ninguém passe necessidade. É dever de quem se diz cristão, olhar para a necessidade do próximo, e procurar meios para tirá-lo da situação de miséria.
O sentido teológico deste pão e peixe partilhado, não é só aquele que sacia o estômago, mas o pão e peixe que cada cristão é provocado por Jesus a partilhar é o pão da educação, da saúde, do trabalho, da moradia para que todos vivam com dignidade, como diz o Evangelho, “saciados”. Portanto, Jesus ensina a partilhar para que todos tenham e não haja necessitados entre nós. Jesus não se preocupou exclusivamente em salvar almas somente, mas sempre sua preocupação foi com a vida cotidiana de todos. Espírito, alma e corpo, ou seja, o homem por inteiro. Falar de céu sem que o céu comece no hoje da história é alienante, não alimenta a fé. A fé no céu, passa pela prática da partilha, nos sinais visíveis, nas necessidades básicas que cada ser humano precisa para viver com dignidade.
Mas há quem diga que, quem fala em partilha é comunista! Então se assim for, temos o mestre comunista chamado Jesus de Nazaré. Ele ensinou que deve ser assim!
Claro que, quem se propõe a ser discípulo de Jesus de Nazaré deve estar disposto a enfrentar este tipo de crítica, por parte dos capitalistas que retém só para si e seu grupo elitizado.
Dom Elder Câmara que foi arcebispo de Olinda e Recife entre os anos de 1964 a 1985, e lutou contra os “males” que o capitalismo da época fazia ao povo, dizia o seguinte: “Quando dou comida aos pobres chamam- me de santo. Quando eu pergunto porque eles são pobres, chamam- me de comunista”.
Citei como exemplo de discípulo de Jesus de Nazaré Dom Elder, mas há muitos cristãos que são engajados nesta luta por dignidade para todos. Lembrem- se que fé sem obras é morta (Tiago 2, 17).
A título de conhecimento, Dom Elder Câmara através da Lei 13,581, de 26 de dezembro de 2017, foi declarado Patrono Brasileiro dos Direitos humanos.
Partilha, faz com que todos tenham e ainda sobre. Reter faz com que poucos tenham e muitos vivam na miséria.
Então como cristão, de que lado você está?
