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PARTILHA, ATO CRISTÃO, OU COMUNISTA?

“Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu- os as pessoas que estavam sentadas, e igualmente os peixes lhes deu quanto queriam” (Jo. 6, 11).

Ao refletir neste versículo do Evangelho de São João capítulo 6, 1- 14, o qual está no contexto em que o evangelista relata que uma multidão seguia Jesus por verem os sinais que ele realizava em benefício dos enfermos, e mostra-nos o evangelista, que Jesus se preocupa com o povo, que eram de maioria humildes, simples, e provoca seus discípulos com uma pergunta pedagógica: “onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?” (Jo. 6, 5).

A “provocação” pedagógica de Jesus é para instigar seus discípulos- seguidores a buscar solução para que ninguém passe necessidade. É dever de quem se diz cristão, olhar para a necessidade do próximo, e procurar meios para tirá-lo da situação de miséria.

O sentido teológico deste pão e peixe partilhado, não é só aquele que sacia o estômago, mas o pão e peixe que cada cristão é provocado por Jesus a partilhar é o pão da educação, da saúde, do trabalho, da moradia para que todos vivam com dignidade, como diz o Evangelho, “saciados”. Portanto, Jesus ensina a partilhar para que todos tenham e não haja necessitados entre nós. Jesus não se preocupou exclusivamente em salvar almas somente, mas sempre sua preocupação foi com a vida cotidiana de todos. Espírito, alma e corpo, ou seja, o homem por inteiro. Falar de céu sem que o céu comece no hoje da história é alienante, não alimenta a fé. A fé no céu, passa pela prática da partilha, nos sinais visíveis, nas necessidades básicas que cada ser humano precisa para viver com dignidade.

Mas há quem diga que, quem fala em partilha é comunista! Então se assim for, temos o mestre comunista chamado Jesus de Nazaré. Ele ensinou que deve ser assim!

Claro que, quem se propõe a ser discípulo de Jesus de Nazaré deve estar disposto a enfrentar este tipo de crítica, por parte dos capitalistas que retém só para si e seu grupo elitizado.

Dom Elder Câmara que foi arcebispo de Olinda e Recife entre os anos de 1964 a 1985, e lutou contra os “males” que o capitalismo da época fazia ao povo, dizia o seguinte: “Quando dou comida aos pobres chamam- me de santo. Quando eu pergunto porque eles são pobres, chamam- me de comunista”.

Citei como exemplo de discípulo de Jesus de Nazaré Dom Elder, mas há muitos cristãos que são engajados nesta luta por dignidade para todos.  Lembrem- se que fé sem obras é morta (Tiago 2, 17).

A título de conhecimento, Dom Elder Câmara através da Lei 13,581, de 26 de dezembro de 2017, foi declarado Patrono Brasileiro dos Direitos humanos.

Partilha, faz com que todos tenham e ainda sobre. Reter faz com que poucos tenham e muitos vivam na miséria.

Então como cristão, de que lado você está?

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Onde está o erro?

Vivemos tempos difíceis, nosso país assim como todo o planeta está passando por um momento deliciado. Um vírus letal que ceifou e continua a ceifar muitas vidas.

Mas falemos de nosso país, onde vivemos, de nossas realidades, Estados e Municípios o qual residimos.

Desde o início que tudo isso começou, ouvimos que devemos nos cuidar e cuidar dos outros, evitando grandes encontros, aglomerações, toques, uso correto de máscaras, etc… .

São orientações para prevenir que este vírus mortal chegue até nós, ou próximo de nós. Isso tudo é para formar consciência, que cada um é responsável pelo outro, que se você não se cuidar o problema não é só seu, mas você se torna responsável pela vida do próximo. Isso se chama caridade ou amor, como queiram.

Na fase emergencial, em que “tentaram” fazer lockdown, fechar tudo que não é considerado essencial para o momento, houve grandes números de óbitos, sinal que o “fechar tudo”, não serviu para nada! Onde está o erro? Será que não está na hipocrisia, das autoridades, que iludem o povo com lockdown, mas que não colocam em prática de verdade como tem que ser?

 Para os capitalistas selvagens, lotar supermercados que de longe cumprem com rigor os protocolos exigidos pelos sanitaristas, e as autoridades fingem que não sabem, lotar transportes coletivos sem o menor critério de cuidados, é como se dissessem: “Aí o vírus não age!”

E a questão da fé?

A religião tem a função de religar as pessoas com Deus. Em momentos difíceis como estamos passando a religião é essencial, para alimentar a fé e a esperança, em dias melhores, também de adquirir forças para cuidar de quem se ama. Deus não é virtual, Deus se fez carne e habitou entre nós (cf, Jo. 1,14). Muitas Igrejas sim respeitam o distanciamento e seguem todos os protocolos exigidos pelas autoridades sanitárias, muito mais que estabelecimentos comerciais. Quem as frequenta é testemunha disso! Por que proibir? A fé é essencial sim! Na igreja o vírus age e nos estabelecimentos comerciais não?

Mas infelizmente gestores capitalistas, liberam campeonato de futebol, e fecham Igrejas! Onde está o erro?

Que cada cristão possa refletir à luz da fé e olhar para os reais interesses das autoridades públicas de longe é preservar vidas, e sim fazer marketing com o vírus. Tudo isso será usado nas campanhas políticas futuras.

Reflitam tudo isso à luz da Sagrada Escritura. Leiam Atos dos Apóstolos 4, 1- 34, e tirem suas conclusões.

Até a próxima!

Acesse meu Canal do You Tube: Teólogo Rafael.

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Derrubar Muros. Dever Cristão!

A mais de quarenta anos, a Igreja Católica no Brasil através da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), lança no período quaresmal a Campanha da Fraternidade. A cada cinco anos ela é lançada de maneira ecumênica como neste ano de 2021.

O objetivo desta campanha é formar os cristãos de maneira mais sólida com a fé que professam. Cristãos verdadeiros, discípulos de Jesus de Nazaré, não pode dividir, mas formar comunidade, não pode criar muros mais pontes, devem dialogar sempre com o diferente sem impor suas ideias, sem fazer proselitismo religioso. O cristão não discrimina ninguém pela cor, sexo, opção de vida, religião ou partido político. Não deveria ser assim!

Mas infelizmente há uma ala conservadora na própria Igreja Católica, desde o final do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), que discordam e criam divisões entre si e os fiéis. É como se Cristo estivesse dividido! Negar o Concílio Ecumênico Vaticano II, é o mesmo que dizer, que neste período da história o Espírito Santo “errou”, cometeu um grande “equívoco”. Só que não!

Como se não bastasse à ala conservadora, o deturpado e perturbado cenário político que estamos vivendo, nos últimos tempos, vem criando também divisões entre o povo. Falam de um Jesus que não existe, que exclui, que pega em armas, um Jesus mais guerrilheiro que libertador, Salvador e promotor da paz. Estúpidos e insensatos!

Dentro deste contexto, nasce a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 com o Tema: “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor” e o Lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (cf. Ef. 2,14).

É um convite a todos os cristãos católicos e de outras denominações cristãs, a se ater que a paz só é possível se houver diálogo, e respeito. E o testemunho cristão, só terá veracidade, se houver tolerância entre os que pensam diferente. Dialogar, não é ser proselitista, querer a todo custo lotar suas determinadas Igrejas, mas, é, com o Espírito Cristão que move a todos, encontrar soluções de paz, de vida digna e denunciar os esquemas de morte as políticas de morte, e a fé sem compromisso que criam muros ao invés de pontes.

Parabéns a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), por esta iniciativa. Isto mostra que é possível, e que os brasileiros necessitam de lideres religiosos assim, comprometidos com o Bem Comum, que fazem seus fiéis refletirem no ser cristão, e entender, que a fé deve ser colocada em prática, no cotidiano.

Pensemos nisso e sejamos cristãos comprometidos. Sem ser proselitista, pois Deus, não se deixa aprisionar em paredes de concreto, Ele está acima de qualquer instituição, e colocou seu Espírito no coração de todos os homens e mulheres, para ser “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).

Dialogar mais, e impor menos!                     

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Onde está teu irmão?

O título deste artigo está inserido no contexto do livro do Gênesis 4, 1-16, que narra o comportamento de dois irmãos Abel e Caim. E principalmente o relacionamento de ambos com Deus. Um é obediente em tudo, outro escolhe o caminho da desobediência, e atrai para si a maldição do pecado da origem.

Todos nós vivemos na mesma casa comum chamada Planeta Terra, somos todos irmãos filhos do mesmo Pai (Deus).

Este fato é indiscutível, apesar de alguns não admitir, somos todos irmãos, independente de cor, de raça, de confissão religiosa, de nacionalidade, de escolhas que fazemos. Ora, sendo todos irmãos, formamos uma só família, e entre os membros de uma família há sempre o cuidado uns com os outros, o desejo de ter todos os entes bem e felizes. É o cuidado fraterno.

Mas na sociedade há grupos que se formam em suas coletividades que acabam antepondo seus interesses particulares acima dos interesses dos outros, sem se importarem que esses outros sejam seus irmãos.

Ainda hoje o Pai de todos continua a perguntar a cada um de nós: “Onde está teu irmão?” E a resposta que damos é: “Não sei, sou porventura eu guarda de meu irmão?”.

Este comportamento que o relato bíblico denuncia, estabelece a origem paterna do egoísmo exercido como coletividade por grupos religiosos, políticos, pessoas que se somam e pensam como eles, que mostram a qualidade amaldiçoada, a origem maldita de grupos de poder que causaram tanto mal e continuam causando à humanidade. Nas figuras de Abel e Caim está representado todo o comportamento humano.

Como descobrir os grupos de poder? Como identificá-los? A chave não é outra se não a mesma que relata Caim: são os assassinos de seus irmãos. Esses de propósito ou involuntariamente, acabam sempre por eliminar os outros. Assim, todo aquele que mata um semelhante, mesmo que não o faça fisicamente, é um descendente de Caim.

Toda vez que algum de nós diz: “o que é que eu tenho com isso?”; Ou “o problema não é meu, cada um por si”, em relação ao outros, continuamos a responder a Deus: “Não sei, sou porventura eu guarda de meu irmão?”.

Cada vez mais somos chamados para o cuidado coletivo, o bem do outro deve ser minha alegria, o sofrimento do outro me atinge, isso é ter compaixão, e ser capaz de transformar as realidades de mortes em vida plena.

É dever de todos os crentes comprometidos com o Deus da vida, lutarem, serem capazes de discernir no cotidiano os grupos de morte, fratricidas, e juntos eliminá-los da sociedade. Com qual arma? Com a única, o Amor fraterno.

Twitter: @JosRafaeldaCos1

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Não imiteis suas ações

Jesus estava a ensinar a multidão e seus discípulos e faz um alerta contra a hipocrisia dos escribas e fariseus (cf. Mateus 23, 1-37).

Escribas e fariseus eram líderes do povo, tanto na questão religiosa, quanto na influência política.

A crítica que Jesus de Nazaré faz, é sobre as imposições legalistas que eles impunham sobre o povo, mas não eram capazes de cumprir.

Qualquer semelhança com a realidade contemporânea não é mera coincidência. Levando em conta que a Palavra de Deus se atualiza no tempo e na história, o espírito de escribas e fariseus hipócritas está fortemente presente em nossos dias.

Só olhar para a conduta sórdida de nossas lideranças políticas, a começar do líder máximo da Nação que tem um espírito contraditório, apresenta um deus contrário ao Deus cristão, que exalta a violência, ignora e desrespeita vidas ceifadas pelo vírus que assola a humanidade, e age como se tudo estivesse normal. Atitude de ditador. O mais decepcionante é que alguns que se dizem cristãos, o apoiam e defendem com unhas e dentes. Basta olhar perfis em redes sociais que dizem: “sou cristão (ã), armamentista”…, onde Jesus de Nazaré ensinou a pegar em armas?

Por outro lado, o governador do Estado de São Paulo politiza a doença, e impõe restrições na população, mas ele, não cumpre, “ficar em casa” é para o povo, ele pode viajar de férias! Hipócrita! Atitude também de ditador.

Não sou contra as restrições, distanciamento social, das medidas para conter o vírus, mas os primeiros a cumprir as restrições devem ser os líderes que as impõe. Por isso, imitar suas ações ou apoiá-las é ser insensato tanto quanto. As palavras ensinam, mas o exemplo conduz!

Ser cristão é não concordar com tais atitudes. E sim denunciar, com ações concretas, e com atitudes totalmente diversas das impostas. Atitudes que gerem vidas promovam a vida, solidariedade, e mostre apresso pelo próximo e não indiferença. Por essas e outras, não imiteis suas ações.

Enquanto a atitude de quem se diz cristão, ou líder religioso, político, for de pensar somente no seu bem estar, viajar como se nada estivesse acontecendo, as coisas não evoluem, a batalha contra este vírus será difícil de ser vencida. Somente quando a cultura do cuidado, do Bem Comum, eliminar o egoísmo, o hedonismo, a vida será melhor, este é o Espírito cristão a conduzir a história nas pessoas de boa vontade.

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Dia do Teólogo

Dia 30 de novembro é comemorado o dia do Teólogo. É um estudioso dos textos sagrados, e das religiões. Teologia significa estudo de Deus, e suas revelações. 

“O Teólogo é alguém instruído para lecionar, auxiliar os ministros eclesiásticos, e promover a paz, em ambientes complexos como hospitais, e projetos sociais” (Jorge Henrique Barro- Doutor em Teologia).

Quero partilhar com vocês a reflexão sobre o Dia do Teólogo feito por este Doutor em Teologia, sob a oração de Santo Tomás de Aquino.

Tomás de Aquino orou assim pelos Teólogos:

Deus santíssimo, Deus Pai,
nós, teu povo e teus herdeiros,
te pedimos pelos teólogos.
Tu que te revelaste a nós pela Palavra de vida,
não permitas que não entendamos as palavras
dos teólogos na nossa vida.
Tu que te revelaste a nós pela encarnação de Jesus,
não permitas que eles falem de uma teologia
que não seja encarnada e sempre reveladora.
Deus santíssimo, Deus Pai,
Tu que és eterna luz e única verdade,
ilumina e esclarece o espírito dos teólogos,
que seus estudos sejam fruto do Espírito Santo,
de oração e de humildade,
fonte de esclarecimento para teu povo.
Que Tu não sejas para ninguém, sobre esta terra,
apenas um objeto de estudo, mas
a rocha segura sobre a qual podemos construir nossa casa.
Tomás de Aquino

Essa profunda oração nos revela três elementos cruciais do trabalho do Teólogo.

1. Os teólogos precisam comunicar com clareza

Tomás de Aquino disse: “não permitas que não entendamos as palavras dos teólogos na nossa vida”.
O Teólogo lida com palavras, faladas e escritas, visando transmitir a Palavra de Deus. Muitos realizam esse processo de um modo rebuscado e difícil. É sua responsabilidade estudar profundamente e comunicar claramente. O bom Teólogo é aquele que consegue traduzir a Palavra de Deus de modo que o povo compreenda.

2. Os teólogos precisam produzir uma teologia relevante

Tomás de Aquino disse: “não permitas que eles falem de uma teologia que não seja encarnada e sempre reveladora”.
O Teólogo lida com gente, com o Verbo encarnado. Sua reflexão não é abstrata, distante da vida. Ele se aproxima da Palavra de Deus do mesmo modo como se aproxima do povo para tratar de realidades concretas que dizem respeito ao dia-dia das pessoas. A veracidade de sua reflexão está na práxis. É ai que ela se revela.

3. Os teólogos precisam vivenciar uma espiritualidade inspiradora

Tomás de Aquino disse: “que seus estudos sejam fruto do Espírito Santo, de oração e de humildade, fonte de esclarecimento para teu povo”.
O Teólogo é dependente do Espírito Santo. Sem Ele, sua teologia é meramente humana e lucubração terrena.  Teologia e espiritualidade são inseparáveis. Quanto mais estuda Deus mais íntimo se torna Dele, pela oração e pela humildade. Ninguém quer um Teólogo prepotente, arrogante, autocentrado. O povo precisa de Teólogos humildes, que sejam servos  e trabalhem para esclarecê-lo.
 
Tomás de Aquino conclui dizendo: “Que Tu não sejas para ninguém, sobre esta terra, apenas um objeto de estudo, mas a rocha segura sobre a qual podemos construir nossa casa”.
Que preciosidade essa compreensão de Tomás de Aquino! Deus não é “apenas um objeto de estudo”. Deus se deixa conhecer em relação. Deus é amor e amor só faz sentido quando há relacionamento. O Teólogo se aproxima de Deus porque Ele é sua fonte de amor e prazer. O estudo é consequência.

Parabéns aos Teólogos e Teólogas. Busquemos ser a resposta de oração do sábio Tomás de Aquino.

Todo o crédito deste texto é de Jorge Henrique Barro, extraído do site da Faculdade de Teologia Sul América.

https://ftsa.edu.br

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Dia Mundial dos Pobres

Há exatamente quatro anos atrás, o Papa Francisco instituiu o dia 15 de novembro como “O Dia Mundial dos Pobres”.

No dia 15 de novembro de 2020, o tema para celebrar e refletir nesta data foi, “Estende a tua mão para o pobre” (cf. Eclo 7,32).

É preciso compreender que a data em questão foi instituída, para provocar reflexão, despertar o altruísmo em todas as pessoas, principalmente aqueles que são cristãos. Em um mundo globalizado que prega o egoísmo, individualismo, onde a preocupação com o outro, é ignorada. Faz bem refletir e se perguntar, “o que eu tenho feito para melhorar a vida do outro?”

Em décadas passadas, muitos foram os movimentos que surgiram com o Concílio Ecumênico Vaticano II, e a Teologia da Libertação, na década de setenta, oitenta, onde muitos bispos, padres, leigos, se destacaram no serviço aos mais vulneráveis, podemos destacar Dom Elder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida, Dom Pedro Casaldáliga (falecido recentemente), padre Julio Lancellotti (contemporâneo), da Capital Paulista, entre outros, que criam movimentos, associações, saem de trás do altar, de seu conforto para se dedicar aos pobres, e assim, levam muitos cristãos e não cristãos a seguirem seus passos.

Mas seus passos são os passos do mestre, Jesus de Nazaré, que esteve com os pobres, e no meio deles. Pouco a Sagrada Escritura mostra Jesus no Templo ou na Sinagoga. Estender a mão é desejar mudar a vida do outro, fazer de tudo para tirar a pessoa da situação de vulnerabilidade. No Evangelho segundo Mateus 25,14-30, ao lermos a parábola do Homem Rico que antes de viajar distribui talentos de acordo com a capacidade de cada um, para serem multiplicados, entendemos que este Homem é Deus, e aqueles que receberam e recebem os talentos somos todos nós. Deus dá talentos, dons, multiplicar, colocar a serviço é tarefa de cada um.

Em determinado momento da sua alocução o Papa Francisco na oração do Angelus, transmitida para o mundo direto da Praça São Pedro em Roma, se referindo ao Evangelho citado acima, mais o tema do dia Mundial dos Pobres, ele diz que alguns dizem: “Mas, esses padres, esses bispos, que falam dos pobres, pobres… Nós queremos que falem de vida eterna!” Olha irmão e irmã, diz o Papa, “os pobres estão no centro do Evangelho: foi Jesus quem nos ensinou a falar aos pobres”.

Para concluir, todos nós somos dotados de talentos, de dons dados por Deus, para colocar a serviço uns dos outros principalmente dos mais vulneráveis. Estamos nos colocando realmente a serviço, ou estamos nos comportando como aquele que enterra o talento por preguiça, indiferença?

Para fazer o bem, caridade, não precisa ser desta ou daquela religião, deste ou daquele movimento religioso, todos nós podemos e devemos fazer o bem, estender a mão àquele que mais necessita.

Pensem nisso!

Referência:

https://www.vaticannews.va- Alocução do Agelus, do dia 15/11/2020. Praça São Pedro- Roma.

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Insensatez!

É preocupante ler certas notícias e notar no cenário atual que estamos vivendo. Do início do ano “pós carnaval”, até meados de agosto vivemos todos a tensão imposta por um vírus que assolou e ainda assola o mundo, muitas vítimas, vidas ceifadas, desempregos, falência de muitos empresários. Trouxe à tona as verdadeiras intenções de muitos líderes, políticos e religiosos. Um verdadeiro caos.

Ainda estamos vivendo esta tensão, uns continuam no negacionismo e provocando confusão entre as pessoas, outros buscando conviver com a presença deste vírus tomando todo cuidado para proteger a si e os outros.

Em meio a tudo isso a insensatez dos governantes, que no início desta pandemia, antes do carnaval, já deveriam ter posturas concretas de não deixar acontecer aglomerações em decorrência do próprio carnaval. Deixaram. Por quê? Porque carnaval é fonte de lucro, muito dinheiro em jogo. “Deixa o povo se contaminar, depois vejamos o que acontece”. Com certeza foi assim que pensaram. O dinheiro, este deus que cabe no bolso, manda!  

Passamos metade do ano confinados, fecha tudo, o essencial ficou comprometido para conter o vírus. Não poderia ter ocorrido medidas cautelares antes do carnaval? Não, pois ao contrário o dinheiro não entraria no bolso de alguns!

Agora, período eleitoral, muitos candidatos fazendo aglomerações, disseminando o vírus, indo totalmente contra aquilo que defenderam sobre distanciamento social. Houve acordo com o vírus para não agir durante as campanhas? Muita insensatez e hipocrisia.

O site de notícias uol.com.br, veiculou uma transmissão do governador do Estado de São Paulo dia 05/11/2020, as 13h56minh, que demonstra uma “preocupação” do senhor governador com 43 mil mortes que pode acontecer até dia 15/11por conta do vírus. Isso nos leva a pensar que depois do dia 15/11, pode haver novas restrições na vida das pessoas! Não é insensatez?

Libera quase tudo para o pleito eleitoral, como se o vírus não existisse, depois que passar, “imposições arbitrárias no povo”. Política, dinheiro e poder, como sempre, a preocupação com a vida do povo, são de acordo com os interesses de cada momento.

Assim disse Jesus aos amantes do dinheiro, do poder: “Vós sois os que querem passar por justos diante dos homens, mas Deus conhece os corações; o que é elevado para os homens, é abominável diante de Deus” (cf. Lc 16,15).

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Quando o cuidado com os pobres incomoda!

Em verdade vos digo: “Cada vez que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes”. (cf. Mt 25, 40).

O desdobramento da fé cristã deve ter consequências na prática, não basta ficar na fé romântica de dizer Senhor, Senhor… (cf. Mt 7, 21ss).

Por isso, começo este artigo com o versículo acima de Mateus capítulo 25, 31-46, o qual está inserido no discurso sobre o último julgamento. Diz o que irá contar no fim de tudo. Não é o ter, o poder, a ganância, o quanto viveu dentro da Igreja, o quanto orou, jejuou, mas o que se fez em favor do próximo, principalmente dos menos favorecidos de todos os tempos, os quais são classificados por Jesus de Nazaré como “pequeninos”.

Houve algum tempo atrás, exatamente no dia 20/10/2020 as 17h48minh, uma sabatina com um Deputado Estadual, candidato a prefeito da cidade de São Paulo, realizado pelo Jornal Estadão, e publicado pelo uol.com.br, site de notícias, que fez uma crítica ao apoio que o Papa Francisco fez ao padre Júlio Lancellotti, que faz um trabalho belíssimo com a Pastoral de Rua, em uma região central da Capital Paulista tomada pela cracolândia.

Assim como este nobre político, existem muitos pelo Brasil afora, que pensam da mesma forma. Mas porque o cuidado com os pobres incomoda tanto esta classe? Porque os pobres não tem nada para lhes oferecer. É perder tempo. É escandaloso, saber que tem pessoas que se dizem cristãs pensarem assim também.

Para políticos desta estirpe é melhor investir naquilo que pode dar retorno financeiro, para seu bolso, e que se dane os pobres, se puder joga-os na periferia da cidade, esconde do grande centro, assim lá ninguém os vê, e o glamour da área central volta a brilhar nos olhos dos gananciosos.

Para cristãos que tem a mesma linha de pensamento, é melhor lutar pela Igreja indiferente, que aposta no material, com glamour estético, nos bens imóveis, sinos de seis milhões, às vezes algumas instituições religiosas, recorre até a agiota para consolidar a ganância do ter! E o povo que pague por isso. Deus não precisa disso. No documentário feito por Wim Wenders, com o Papa Francisco, e está sendo exibido na Netflix, com o título: “Papa Francisco, um Homem de Palavra”, em determinado momento, o próprio Papa afirma que em uma Igreja que tem como centro o dinheiro, a riqueza, Deus não está nela. E enfatiza muito sobre a boa política que inclui a todos, principalmente os pobres, uma Igreja pobre para os pobres. Este é seu discurso inicial, que está até hoje, por isso, homem de palavra. Seu discurso fala para o mundo e não só para católicos.

Que todos tenham diante de si o valor moral supremo que é o amor ao próximo, na política e na religião. Porque será pedido contas das obras de misericórdia que praticamos ou deixamos de praticar. Que não ouçamos: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (cf. Mt 7, 23).

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Questão de Consciência

“A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (CIC & 1776).

Esta é a definição de consciência do Catecismo da Igreja Católica. É uma Lei natural inscrita por Deus no coração humano.

Mesmo que alguém não professe religião alguma, se declare ateu, Esta lei natural está intrinsecamente no ser humano. Através da consciência, digamos desta voz interior somos conduzidos e orientados em nossas escolhas. Fazer o bem e evitar o mal.

A consciência sendo um núcleo secretíssimo, um sacrário inviolável, como vimos na definição acima, não há nada, ou ninguém que possa perscrutar ou interferir de modo a persuadir, ou até mesmo violar, ou reprovar o que está neste íntimo do ser humano. Nem mesmo a religião com seus dogmas e regras. Por tanto, o grande juiz de nossas ações é a própria consciência.

Como está presente no coração da pessoa, a consciência moral age no momento oportuno, orientando a fazer o bem e evitar o mal (cf. CIC 1777).

Escolhi este tema, para refletir no caso ocorrido recentemente na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo. Quem não acompanhou este caso pelos meios de comunicação e redes sociais?

Do catador de materiais recicláveis que encontrou um cofre com uma quantia de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais) em cédulas, no fundo falso de um cofre.

Para um trabalhador simples como seu Manoel de Sá, de 63 anos que luta para ganhar seu dinheiro honestamente, e dele tirar o sustento, uma quantia dessas, em espécie iria lhe dar uma guinada na vida.

Mas não. Ele é honesto, ouviu sua consciência, de não se apropriar do que não lhe pertence, não hesitou em entregar às autoridades. E ainda respondeu ao repórter: Eu gosto de deitar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Não conseguiria fazer isso se tivesse pegado o dinheiro. Usei minha honestidade que meu pai e minha mãe me ensinaram”.  Este ensinamento ressoou em sua consciência. Que exemplo!

Em uma sociedade, corrupta, corrompida pelos interesses mesquinhos e egoístas, de “quem pode mais chora menos”, desponta seu Manoel de Sá, e dá uma lição a todos nós, que é preciso escutar a voz interior, mesmo que muitas vozes externas falem o contrário.  Este homem é rico, não de bens materiais, mas de honestidade, moral, dignidade. Este sim é abençoado por Deus.

Que nasça muito Manoel, na sociedade, na política, na religião, com esta consciência. E desapareçam os exploradores, egoístas, interesseiros, que se travestem de honestos com discursos falsos, mas nos bastidores do poder, querem extinguir, calar e chamar de tolos os muitos “Manoel” presentes em nosso meio.

Referencia:

https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba- 28/08/2020

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