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Natal, Festa Cristã!

Curiosidade histórica

O Natal é a comemoração do nascimento histórico de Jesus Cristo. Até o século III, não existia uma data fixa para esta comemoração, somente no século IV o dia 25 de dezembro foi fixado como data oficial, tornou-se assim uma data muito importante para os cristãos principalmente no Ocidente, do ponto de vista cronológico, pois marca o ano 01 da nossa história.

A mística que envolve esta data

Jesus Cristo, Filho de Deus, já existia desde a criação do mundo (cf. Jo 1, 1-18), no tempo previsto, Ele se Encarnou. O Filho de Deus assume a condição humana, menos o pecado.

É um mistério que revela o amor de Deus para toda a humanidade. Um Deus que em Jesus Cristo se rebaixa na condição de criatura, para salvar a todos (cf. Fl 2, 6-11).

Com o nascimento de Jesus, acontece na noite de Natal um intercâmbio de dons. Deus, ao assumir a condição humana enriquece todo o cosmos com sua glória, com seu amor infinito. O presente é Ele quem nos dá, com o nascimento do seu Filho, da parte frágil, Deus acolhe as limitações e misérias. Deus poderia salvar a humanidade sozinho? Sim, mas quis contar com a colaboração humana, para que o Verbo se fizesse carne, Deus contou com o “Sim” da Virgem Maria (cf. Lc 1, 26-38).

Para o cristianismo, o que é celebrado na noite de Natal, é todo este mistério, que recorda a primeira vinda de Jesus, na condição humilde e frágil de uma criança, aí o Reino de Deus já começa a ser apresentado, um novo jeito de ser e de ver o mundo a partir da ótica de Deus, e este Reino começou com Jesus Cristo, mas não está concluído. O Natal também convida a refletir sobre a segunda vinda de Jesus, a sua vinda gloriosa, quando Ele concluirá o Reino, e entregará todas as coisas ao Pai. Seria muito bom se os cristãos do mundo inteiro tivessem consciência de fé, desta mística, e da fé, fosse para a prática, este ensinamento fosse passado de geração para geração, e a noite de Natal, o encontro nas famílias, fossem para celebrar verdadeiramente Aquele que é o centro desta data, Jesus Cristo, e ter em mente e no coração a importância deste evento que envolve esta noite especial. Assim como os Anjos, que também nós cantemos: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra paz aos homens por Ele amados…”.

Feliz Natal!

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Contraditório!

Em um país que diz ser a maioria cristã, supõe um comportamento social, ético, religioso, de acordo com a fé que diz professar.

A fé é uma questão espiritual, mas que tem desdobramentos na prática social. É muito contraditório ter um comportamento dentro da Igreja, e outro na sociedade. Aprender que Deus não faz acepção de pessoas, e discriminar, por exemplo. Apoiar situações de mortes, como aborto, pena de morte, corrupção, etc….

No contexto do conhecido Sermão da Planície no Evangelho de Mateus, Jesus diz: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: Amais vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem, deste modo vos tornarei filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos”(cf. Mt 5, 43- 45).

Então pensemos bem, como podemos muitas vezes postar nas redes sociais, ou termos um comportamento igual às certas frases que vemos? Como:

“Valorize quem te valoriza”; Qual a recompensa nisso?

“Respeite quem te respeita”; Qual a novidade nisso?

“Ame quem te ama”; Isso até quem se declare ateu faz!

O diferencial do cristão está em ser algo mais.

Se o comportamento cristão é baseado no toma- lá- da- cá, é uma demonstração de fé interesseira, que não condiz com os ensinamentos evangélicos.

Valorizar quem não te dá valor; respeitar, mesmo quem não te trata com respeito; amar, quem, muitas vezes não merece ser amado. Eis o verdadeiro desdobramento da fé, na prática. Em nenhum momento é dito que é fácil viver tudo isso, mas se houver seriedade na fé, absorver os ensinamentos cristãos então, se torna possível. E a sociedade vai se transformando em pessoas mais tolerantes, pacíficas, menos discriminadoras e moralistas.

Pensem nisso!

Até a próxima!

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Responsabilidade de Todos!

Na realidade pós- moderna que vivemos, somos muitas vezes seduzidos a viver um fechamento social e religioso, um individualismo, egoísmo, onde se houve muito o dito: “não tenho nada haver com isso!”. Preocupante e assustador quando este dito parte de cristãos, que vivem na Igreja, a pergunta é, como que estes cristãos oram o Pai- Nosso? Com que compreensão e intensidade oram? Será que só repetem palavras e acham que está bom? É preciso compreender o que se ora.

Em primeiro lugar a oração do Pai- Nosso, é a única oração ensinada por Jesus de Nazaré. Em segundo lugar é uma oração universal, porque engloba toda a humanidade. Terceiro, ela contém sete pedidos necessários e suficientes para a vida humana. Por isso, é a oração mais completa e perfeita que foi ensinada por Jesus (cf. Mt 6, 9-13).

Vejamos com detalhes esta oração, e seus sete pedidos.

Começa assim: “Pai- Nosso que estais nos céus”; vejam bem, Pai- nosso, reconhecemos que Deus é Pai de todos, daqueles que tem fé, do ateu, Pai de quem não é cristão, etc… Pai de todos, não de um grupo privilegiado de crentes. Queiramos ou não, somos todos irmãos e habitamos a mesma Casa Comum chamada Planeta Terra.

Primeiro pedido da oração: “Santificado seja o Vosso Nome”; o nome de Deus é santo, sagrado, não deve ser usado como marqueteiro de campanha política, nem para fins pessoais, egoístas.

Segundo: “Venha nós o vosso Reino”; este Reino deve nascer no coração de cada um, Reino de paz, de amor de justiça social, Reino de igualdade, porque este Pai- Nosso não faz acepção de pessoas.

Terceiro: “Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu”; Qual é a vontade de Deus? Jesus por diversas vezes ensinou. A vontade de Deus é que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade, que todos vivam como irmãos não como inimigos, que todos tenham o suficiente para viver com dignidade, sem irmãos explorando irmãos.

Notem que os três primeiros pedidos se relacionam a Deus, os outros quatro é entre nós, uns com os outros.

Quarto: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”; o pão da Palavra de Deus, o pão da dignidade, da justiça, o pão da saúde, educação, trabalho para todos, da erradicação da fome, que ninguém passe fome, mas que tenham o necessário para viver bem.

Quinto: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”; se compreendemos e acreditamos que Deus sempre perdoa as nossas faltas, devemos perdoar também aos outros. Que ninguém termine o dia, sem pedir ou dar o perdão, quando necessário.

Sexto: “Não deixeis cair em tentação”; ninguém está livre de ser tentado, o próprio Jesus foi tentado, mas pode evitar cair, contando com a graça de Deus.

Sétimo pedido: “Mas livrai-nos do mal”; que não sejamos seduzidos pelo maligno, o qual é porta para tantas atrocidades, tantas injustiças, ganâncias, poder, exploração, corrupção etc… .

Quando oramos a única oração ensinada por Jesus, e compreendemos o seu significado, como cristãos jamais repetiremos o dito acima: “não tenho nada haver com isso!”.

Sendo Deus Pai de todos, somos todos irmãos nesta Casa Comum, então o sofrimento do outro tem haver comigo, a fome do outro, tem haver comigo, a falta de dignidade do outro tem haver comigo. A Casa Comum sendo devastada, explorada, tem haver comigo. Somos todos responsáveis.

Ou compreendemos o sentido de pertença de uns com os outros, ou caminharemos todos não para a salvação, mas para a autodestruição, que o individualismo conduz.

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Você sabe o que é providência?

É comum no meio religioso o uso da palavra providência quando se pede algo a Deus e espera conseguir. Deus providenciará, ou eu creio na providência de Deus, etc…

A providência vem do verbo prover, fornecer. Muitos cristãos imaginam a providência, como algo passivo, por exemplo, “eu oro e espero Deus realizar”, ou, na esfera social, “eu vou atrás de um político e ele tem que resolver o que eu quero”, isto também é providência. Não é assim que funciona. Isso se chama comodismo, ou quer as coisas do jeito mais fácil.

Tanto na esfera religiosa, quanto na social, providência tem sempre um movimento duplo, não é esperar que as coisas “caiam do céu”, sem o meu esforço, isso não é esperar da providência e sim, ser acomodado que espera sempre dos outros sem fazer nada. E como há gente assim na Igreja e na sociedade!

 Um exemplo: “Há, você vai à Igreja? Ore por mim”- e o que ele faz por ele mesmo? Outra forma de desvirtuar o sentido de providência: “Você conhece tanta gente, consiga um emprego para mim”. Comodismo espera passiva, de quem não quer nada, não sai da zona de conforto para o confronto com a realidade.

A providência é você orar e sair da oração para ação, fazer sua parte, lutar, correr atrás, quer um emprego, vai atrás, mostre-se interessado, isto é providência. Da parte de Deus Ele nos dá inteligência e sabedoria, da nossa parte, o esforço, a coragem, a determinação, para usar dos talentos que Deus nos dá. A todos Deus dá talentos, não deixa ninguém de fora. O multiplicar os talentos deve ser por nossa conta. Leiam a parábola dos talentos que está no Evangelho de Mateus 25,14-30, Deus é aquele que distribui os talentos conforme a capacidade de cada um, a criatividade de multiplicar estes talentos é individual, enterrar os talentos, significa se acomodar, ser preguiçoso, é muitas vezes esperar que outros façam por ele.

Assim nasce a falsa compreensão da providência. É preciso entender que Deus faz a parte Dele, e nós temos a nossa parcela de contribuição em tudo. Deus nunca fará a parte que cabe a nós seres humanos.

Acredite na providência, ela existe, desde que tenha colaboração mútua, a parte de Deus e a sua. Se não, vai continuar no mesmo lugar e esperando que as coisas aconteçam como um passe de mágica.

Termino com uma frase de Santo Inácio de Loyola que dizia: “Ore como se tudo dependesse de Deus, e trabalhe, como se tudo dependesse de você”.

Até a próxima.

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A misericórdia de Deus não exclui ninguém.

Estamos acostumados a ouvir muitos discursos sobre Deus. E o que mais é evidenciado, é uma imagem distorcida que muitas vezes causa terror, pressão psicológica, e cria uma certa repulsa ao Deus que é apresentado.

Por isso a Teologia deve estar atenta aos vários discursos sobre Deus que são apresentados. Muitas vezes atrás dos discursos de um Deus castigador, justiceiro, punitivo, há uma única intenção, o monopólio psicológico das pessoas, por cristãos mal intencionados. Quanto mais manipular a fé mais fácil de ter controle absoluto sobre as pessoas e obter o que se pretende.

O Deus da Bíblia é totalmente diferente do que se prega muitas vezes nas Igrejas. O Deus da Bíblia é amor, misericórdia, perdão. Acrescentar um “mais”, nesses atributos de Deus, significa adulterar Sua verdadeira imagem.

É verdade que às vezes, as pregações e discursos têm tons ameaçadores, que não converte ninguém, não muda a vida de ninguém, só prejudica a vida psicológica das pessoas. E às vezes com certa pitada de sarcasmo, deseja que realmente Deus seja vingador, tirano com certas pessoas.

Assim aconteceu com Jonas, o livro de Jonas é uma narrativa, no primeiro Testamento, que mostra um profeta desobediente, num primeiro momento tenta fugir da missão que Deus lhe confia. Mas não conseguindo fugir encara a missão na grande cidade de Nínive. No entanto, o profeta vai com o pensamento de ver a cidade destruída, para assim se cumprir o que ele anunciara. Seu egoísmo fala mais alto.

Para sua surpresa a destruição não acontece, porque o povo cai em si, se arrepende dos seus pecados, faz penitência, e Deus tem misericórdia dos habitantes da grande cidade. Isso causa revolta em Jonas, e diz a Deus: “Por isso fugi apressadamente para Társis; pois eu sabia que tu és um Deus de piedade e de ternura, lento para a ira, e rico em amor e que se arrepende do mal” (cf. Jonas 3, 2). Jonas reconhece diante de Deus sua arrogância de profeta, que a sua intenção era ver a cidade destruída. Mas Deus não pensa assim. O verdadeiro atributo de Deus o próprio profeta reconhece.

Assim são alguns cristãos dos nossos dias, conhecem muito bem as características de Deus, porém em suas arrogâncias religiosas, prefere apresentar um Deus terrível, implacável, destruidor. Este pequeno livro de apenas quatro capítulos, rompe com o particularismo de algumas religiões que pregam a salvação somente para seu grupo ou comunidade, ou para aqueles que “fazem tudo certinho”, e apresenta um Deus que ama a todos sem distinção. Ele ama aquele que vive sua fé de maneira intensa, e ama de forma igual, aquele que nunca entrou em uma Igreja, nunca recitou uma oração se quer, ou até mesmo se declara ateu.

Deus teve misericórdia do seu profeta afligido pelo seu egoísmo, e teve misericórdia de Nínive que reconheceu suas maldades.

Cristãos, é hora de apresentarmos o verdadeiro Deus às pessoas, e não projetar a Deus aquilo que muitas vezes é uma intenção subjetiva, egoísta da nossa parte.

Deus sempre esteve e estará a nossa espera, para nos amar com amor de mãe! Destruir alguém, nunca foi característico de Deus. Seu objetivo é salvar a todos.

Para Deus não existe pessoas com rótulos, existe o ser humano seus filhos e filhas amados.

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Liberdade

Fala-se muito em nossos dias sobre liberdade, mas será que as pessoas sabem realmente o que é liberdade?

Na concepção de boa parte da sociedade, liberdade é fazer, como dizem na giria popular “o que der na telha”. Para muitos, falar sem pensar, sem fundamentos, jogar palavras ao vento é sinônimo de liberdade, e isso não está correto. Para outros, liberdade significa difamar, expor a vida de outros, estimular o ódio contra outrem sem pensar nas consequências, veicular notícias sem uma fonte segura, distorcer fatos, isto também não é liberdade e sim atentado contra a liberdade, adulteração da liberdade! A fé cristã católica tem sua definição de liberdade.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC), nos parágrafos 1730,1731 e 1732, nos dá a definição de liberdade:

“Deus criou o homem dotado de razão e lhe conferiu a dignidade de uma pessoa agraciada com a iniciativa e o domínio de seus atos”. “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14), para que pudesse ele mesmo procurar seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegar à plena e feliz perfeição”.

“A liberdade é, o poder, baseado na razão e na verdade, de agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança”.

“Enquanto não se tiver fixado definitivamente em seu bem último, que é Deus, a liberdade comporta a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, portanto, de crescer em perfeição ou de definhar e pecar. Ela caracteriza os atos propriamente humanos. Torna-se fonte de louvor ou repreensão, de mérito ou demérito”.

“Quanto mais a pessoa pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à “escravidão do pecado”.

A própria fé cristã e a doutrina da Igreja Católica, reconhece que Deus dotou o ser humano de liberdade. E a própria Sagrada Escritura como vimos a cima, diz: que “Deus deixou o homem nas mãos de sua própria decisão” (cf. Eclo 15,14). Neste ponto de vista, entendemos que Deus não interfere nas escolhas de cada um. Isto é importante perceber para não culpar Deus pelo que acontece na sociedade ou na vida individual de cada ser. Se a sociedade vai bem, se luta pelo Bem Comum, é sinal que a liberdade está sendo colocada em prática. Quando a sociedade vai de mal a pior, é porque a deturpação da liberdade, a falsa liberdade está sendo colocada em prática. Deus não é o culpado e sim as pessoas.

Em nossos dias vivemos na era digital, e as famosas “fake news”, as notícias falsas, instigam a sociedade ao ódio, à difamação, intolerância, para acobertar crimes, e favorecer grupos de pessoas, principalmente políticos. Isto tudo, acontece em nome da liberdade, e não é, isto é adulteração, é abuso, é crime contra a liberdade. Se expressar, ir e vir, escolhas pessoais, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, tudo isso é liberdade, desde que não coloque em risco pessoas ou instituições. O fato de uma pessoa discordar do meu modo de pensar, ou agir, não significa que esta pessoa é meu inimigo ou adversário, está dentro de sua liberdade. Isto também se chama respeito! E é na diversidade que construímos uma sociedade, diversidade não é uniformidade.

A própria Constituição Brasileira defende a liberdade de cada indivíduo, mas, usar dessa liberdade para prejudicar alguém,  é atentar contra a liberdade, isso deve ser investigado, e a justiça deve ser feita a quem tem o direito. “direito de ir e vir, o direito a liberdade , está garantido pelo inciso XV do art. 5º da Constituição Federal de 1988, não é absoluto , visto que está limitada e condicionada pelas normas de convivência social e nos termos da lei.

Caro leitor, precisamos entender que liberdade não é dizer ou fazer o que quer, há limites, a minha liberdade termina onde começa a do outro, se formos pessoas instruídas em valores e conhecimento, viveremos em harmonia. A falta de investimento em Educação eficaz, compromete o futuro de uma sociedade, em valores, harmonia, paz e organização social.

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Deus só sabe Amar!

“ Eu não tenho prazer na morte de quem quer que seja, oráculo do Senhor” (Ez. 18,32).

Desde que o mundo tomou conhecimento da pandemia viral que está afetando a todos, acompanhamos pelas redes sociais muitas orações, pregações e ensinamentos equivocados sobre Deus, mostrando muitas vezes uma imagem caricata de um Deus verdadeiramente horroroso, castigador, atribuindo a Ele o mal que nos aflige. Isto não tem base nem fundamento, não apresenta esperança, a não ser terror psicológico e opressão.

O Deus revelado por Jesus Cristo é amor, misericórdia, compaixão, um Deus que nos ama com amor de mãe.

Precisamos como cristãos filtrar aquilo que lemos, ouvimos, e de onde ouvimos para não disseminar inverdades em nossas redes sociais.

O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP (PUC- SP), Fernando Altemeyer Junior escreveu recentemente sobre amuletos e proteção. Em um trecho o professor destaca que “a maneira de ver a religião como amuleto de sorte, ou posse de objetos sagrados que salvassem do mal que todos estamos submetidos, é tremendamente defeituosa e caricata de Deus. Falsifica Deus, e o faz ser um agente do mal”. Em outro trecho o teólogo afirma que “a oração não é vacina nem antidoto, se fosse assim as dezenas de padres mortos em Bolonha estariam vivos! Fé é força da esperança de quem crê e confia sem resultados aparentes. Pessoas de fé morrem e as vezes mais que os incrédulos. Fé não salva uns e mata outros, protegendo uns e descriminando outros. Se fosse assim, estaríamos dizendo que Deus detesta Itália e ama o Brasil”.  

“Deus nos ama por igual, crente ou ateu, mesmo se não rezássemos nem um pai-nosso. Deus é Pai e perdoa antes que abramos nossa boca. Atenção para este tipo de religião mágica de barganha e privilégios”.

É preciso ter discernimento principalmente nos momentos difíceis da vida. Fechem os ouvidos para tais pregadores sensacionalistas e fundamentalistas, de qualquer denominação religiosa, que visa ganhar adeptos para si não para Deus.

No mesmo artigo que cita o professor Altemeyer, há uma entrevista com o Bispo presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da (CNBB), Dom Pedro Carlos Cipollini, ele esclarece a respeito desta pandemia à luz da fé. Dom Pedro é questionado se Deus manda o vírus para converter o povo, ele responde: “ Não é Deus que manda. Esta visão de que Deus castiga e pune não está de acordo com a revelação que Jesus nos faz do Pai, que não quer a morte do pegador, mas que se converta e viva. Jesus disse ainda quero a misericórdia e não sacrifício”.

Em outro trecho da entrevista Dom Pedro diz que: “Deus permite as consequências das ações do próprio homem que hoje por exemplo está de certa forma, destruindo a natureza, a terra, a nossa casa comum. Isto porque Deus, é Pai, mas não paternalista, ele permite que soframos as consequências de nossas escolhas”.

Deus é Pai, não paternalista, Ele perdoa os nossos pecados, mas suas consequências permanecem. “A fé é sempre uma armadura do espírito, mais que evitar, vencer o mal em todas as suas manifestações”, nos diz Dom Pedro.

Caros leitores, passemos por este tempo difícil com fé e esperança no Deus da vida. O Deus que castiga é falso, não existe.

Referência

Site : http://www.cnbb.org.br – 03/04/2020.

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