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As vacas de Basã

Para entendermos este título, é preciso mergulhar na leitura completa do profeta Amós no Primeiro Testamento.

Amós era um pastor em Técua nos limites do deserto de Judá. Totalmente alheio às confrarias dos profetas de sua época. Foi escolhido pelo próprio Deus para profetizar ao povo escolhido, ao povo de Israel.

Amós mesmo não tendo pretensão alguma em ser profeta, sente-se convocado por Deus, em um período histórico governado pelo rei Jeroboão II (783- 743) a. C.

É uma época gloriosa, humanamente falando, em que o reino do Norte se estende e se enriquece, mas na qual o luxo dos grandes insulta a miséria dos oprimidos. E na qual o esplendor do culto, disfarça a ausência de uma religião verdadeira.

Nesse contexto, Amós exerce seu profetismo, com a rudeza simples e altiva e com a riqueza de imagens do homem do campo, Amós condena em nome de Deus a vida corrupta das cidades, as injustiças sociais, a falsa segurança posta em ritos, nos quais a alma não se compromete ( cf. Am 5, 21-22).

A função do profeta é exatamente essa, anunciar a vontade de Deus, e denunciar o comportamento contrário a essa vontade, principalmente quando os mais pobres são as grandes vitimas. Deus sempre esteve e está ao lado dos pobres.

As vacas de Basã é uma alusão usada contra o comportamento interesseiro das mulheres da época, residentes em Samaria. Basã, na Trasnsjordânia era célebre por suas pastagens, e seus rebanhos. Os touros de Basã eram símbolos da força violenta. Neste contexto em que o livro de Amós foi escrito, as vacas de Basã, são símbolos do espírito interesseiro das mulheres de Samaria (cf. Am. 4, 1-3).

Qualquer semelhança com nossa contemporaneidade, não é mera coincidência. Também nos dias de hoje, a corrupção, as injustiças sociais, a falsa segurança apresentadas, usando o nome de Deus, são o vírus que mata as pessoas, principalmente os mais pobres.

Em nenhuma época foi usado tanto o nome de Deus como em nossos dias, para acobertar as corrupções, tanto políticas quanto religiosas, que beneficia somente ricos, clãs familiares, e explora os mais pobres ou nem se quer olham para eles.

Alguns cristãos entram neste jogo vil, e se comportam como as mulheres de Samaria do tempo do profeta Amós. Se vendem por uma vida confortável, usam da fé, como objeto de negócio, mas não há comprometimento sincero, de coração, pela transformação social. Quanto mais pobreza e miséria, melhor. Assim, se pode usar destas situações para se auto promover, ganhar eleições, falar em nome de Deus. Mas fica só no discurso, porque as pessoas mais pobres nunca veem as transformações em suas vidas. Aqueles que estão nas periferias, existenciais e geográficas, são os últimos, ficam com o resto, o refugo dos grandes centros. Mas não podemos esquecer, que estes últimos são os prediletos de Deus.

Que todos os cristãos, católicos ou de outras denominações cristãs possam refletir o livro do profeta Amós, e entender que Deus quer a vida por completo para seu povo. Não só salvar almas, mas a pessoa por inteiro.

Cristãos que se vendem por interesses escusos causam escândalos de fé na sociedade.

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Padrões Falidos. Fé sincera.

“Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (cf. Mt 21, 31).

Quero começar este artigo com esta frase de Jesus que está no contexto da parábola dos dois filhos que ele conta para desmascarar a hipocrisia farisaica do seu tempo (cf. Mt 21,28-32).

Ao falar do homem que tinha dois filhos e pede para ambos irem trabalhar em sua vinha, Jesus descreve o comportamento sincero de um, e a hipocrisia do outro. O primeiro ao receber o convite diz não, mas, se arrepende e vai. O segundo é aquele que quer fazer média, diz que vai, mas não vai. Aí a pergunta de Jesus: “Qual dos dois fez a vontade do pai?” Claro que a resposta foi correta. O primeiro. Ao dizer a frase citada do versículo 31, Jesus os questiona porque eles não acreditaram na pregação de João, que estava em conformidade com a vontade de Deus. Enquanto que os publicanos e as prostitutas creram em João! Por isso, aqueles que eram considerados à margem da sociedade política e religiosa daquele tempo, pecadores púbicos iriam preceder muitos considerados “santos” e certinhos, freqüentadores assíduos do Templo, no Reino de Deus.  Podem até ‘“morar” na Igreja, mas estão longe de conformar suas vidas com a vontade de Deus!

Será que em nossa sociedade contemporânea não é assim também? Sim, é até pior que no tempo de Jesus. E o que mais causa decepção é este tipo de atitude de quem se diz cristão praticante, seja católico ou de outras denominações cristãs, que acham que serão salvos por serem cumpridores de ritualismos, histerismos, repetidores de longas orações, mas, viver na prática cotidiana, o amor, a justiça, a misericórdia, nem pensar.

Porque falo disso? Porque acredito que todos acompanham redes sociais, e por ocasião do dia dos pais, houve uma polêmica em relação a uma pessoa conhecida do meio artístico, que fez sua escolha, opção de vida, usando de sua liberdade, saindo dos padrões impostos, que uma família deve ser composta de homem, mulher e filhos. Não estou aqui para dizer o que está certo ou errado, mas para ajudar a pensar que em pleno século XXI em que vivemos, não dá para fechar os olhos e fingir que não há outros padrões que saem do tradicional. O conceito de família mudou. É preciso reconhecer.

Infelizmente o conceito de família tradicional, não é a única, por isso precisamos respeitar outros conceitos. Não somos obrigados a aceitar, mas somos obrigados a respeitar a escolha de cada um.

Se nos dias de hoje pessoas do mesmo sexo se unem, adotam crianças, e lhes dão todo amor e carinho, é porque os casais que se dizem tradicionais não se comportaram conforme a vontade de Deus para, educar, dar amor, um lar, como deveria. Quando surgem pessoas dispostas a fazerem o que os “certinhos deveriam fazer e não fizeram”, há criticas, discriminação, daqueles que querem dar um lar, carinho, amor, atenção. Esta é a hipocrisia social e religiosa que vivemos nos dias de hoje. Talvez aqueles que estão fora dos padrões agem e faz muito mais a vontade de Deus, do que aqueles que vivem na Igreja, com o terço na mão, a Bíblia em baixo do braço, e acham que estão arrasando, já estão salvos. Não é bem assim. Estão enganados.

Padrões, fé, não significam nada, quando não há coerência com a prática na vida, no cotidiano. Tenho certeza que Jesus acolhe estes que lutam para viver de forma honesta, sem hipocrisia, assumem o que são, e por isso são os marginalizados de hoje. Estes são os preferidos de Deus hoje.

No Dia do encontro com Deus, o que ele nos perguntará não é quantas vezes fomos à Igreja, o quanto rezamos, mas sim, o quanto amamos, o quanto buscamos conformar a nossa vida, com sua vontade. Isto contará.

É a fé da prática, com obras de misericórdia que nos leva a viver o Reino de Deus no hoje da história, e a prolongar para a vida eterna (cf. Mt 25,31-46). Não os padrões falidos, ou as falsas escolhas para agradar este ou aquele e ser infeliz o resto da vida.

Acredito na família tradicional, sincera honesta, mas acredito também, nos novos modelos de famílias de hoje que buscam viver a vontade de Deus dentro de suas escolhas.

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Diversidade, Tolerância, Respeito.

Vivemos em um mundo pós-moderno, onde se torna cada vez mais inadimissível, a intolerância com aquele que pensa, age, ou crê de forma diferente aos “padrões” impostos. Viver a diversidade sem demonizar o outro porque é diferente, é caracteristica de um povo civilizado, onde o respeito mútuo ganha notoriedade, e assim uma sociedade pode viver e promover a paz.
O que se observa nos últimos tempos, é uma intolerância com o diferente, é como se a sociedade, as pessoas, tivessem regredido. Impera muitas vezes um facismo, que não suporta o diferente, e que somente “suas teorias e crenças são a verdade!”
Isto é um retrocesso da sociedade pós-moderna. Diversidade não significa uniformidade, não se pode “engessar” as pessoas em um único modelo, ou valor.
O que mais causa estranheza e preocupação, são aqueles que se dizem cristãos sejam leigos, ou líderes religiosos, políticos, agir de forma hostil ao diferente, ou instigar às pessoas a isso, significa que não conhece a fé que diz professar, ou está preso em histórias do passado que não viveu, e assim, em nome de uma pseudo crença, promove barbáries, contra seus semelhantes.
“Qualquer forma de discriminação, nos direitos, fundamentais da pessoa, seja (esta discriminação) social, cultural, ou que se fundamente no sexo, na raça, na cor, na condição social, na língua ou na religião deve ser superada e eliminada, porque contrária ao plano de Deus” (CIC 1935).
É importante refletir neste tema da diversidade, pois nestes tempos difíceis que a humanidade atravessa, o que mais causa danos às pessoas são as diferentes formas de discriminação. A reflexão deve levar cada um a pensar, e buscar agir diferente, com mais, tolerância e respeito ao diferente. Deve-se repudiar qualquer movimento, seja político, social ou religioso, que insentive ou promova tais comportamentos débeis e danosos à convivência humana. Século XXI, a humanidade evoluiu no conhecimento, mas nas atitudes e ações, regrediu muitos séculos. O que devemos deixar como herança para nossas próles são valores, pautados na ética, no Bem Comum, se não, vamos deixar uma herança “maldita”, de mal comportamentos, de ignorância, e falta de respeito, que levará os seres humanos à auto-destruição.
Nenhuma religião, ou partido político é dono da verdade! Todos devem se empenhar ao diálogo, e buscar o que beneficia a todos. Não existem padrões uniformes, onde colocamos as pessoas, para pensar, agir, crer, falar tudo igual. Existe a diversidade, onde todos devem ser respeitados e respeitar, e cada um de acordo com sua formação social, cultural, religiosa, se empenhem em colocar seus conhecimentos para o o diálogo, a paz e o bem comum.
Diga não a qualquer tipo de discriminação ao diferente.

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